sábado, 4 de julho de 2020

A BONECA MANTRA

Há muito tempo atrás, um homem ideou
Fez bonecos de palha, com pano ruim
Costurou a mão de força, ali deu sua sina
Pano de chita, olhinhos de botão, resina

Fez quatro bonecas, todas meninas
Terminado o feitio, deixou-as descansar
No dia seguinte, somente uma separou
Chamou-a de mantra e a deu vida planar

Este homem, pai se tornou deles todos
Era da ruindade cruína, queria perpetuar
Então planejou tal feito, num dia lunar
Pelo feitiço mantra iria viver, para destruir

Mantra era boneca preta, de traços tristes
Disse a ela: "seja engraçada e inteligente
Nunca ame ninguém, seja vítara e durona
Assim foi criada a boneca viva, cruel

Mantra era pequenina, se movia, andava
Era guardada em uma caixa, escondida
Tirava para vê-la, observava seu proceder
Chamou-a de filha, será a minha preferida

Um dia infeliz, saltou da caixa, foi pra rua
Foi atropelada, a carroça de peso a pegou
Notou sua ausência, achou-a por um fio
Levou-a para casa, só a pôs na caixa

Após três dias, ele do sono acordou
Um ruído na caixa, a tampa se levantou
Mantra sozinha se recuperou, se ergueu
Ajoelhou-se com medo, e disse olá!

Espantou-se, resolveu somente observar
Falava com o seu feitor, mas ele, só ouvia
Após anos, mantra adoeceu, e se calou
Um dia nebuloso, ela se foi, o abandonou

Nunca mais mantra foi vista, sumiu
Este homem, conhecido por não laborar
As três bonecas guardou e não enfeitiçou
Ficou só, não ligou, a ruindade o tomou

Fica assim provado, diante dos fatos
Em toda criação, há os traços do criador
O não se importar, o não amar, traz dor
A malignidade é matar a vida, é torpor

Nilma Da Silva Coimbra

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