quarta-feira, 30 de setembro de 2020

CÂNTICOS EDIFICAM

 Cantar, abrir a alma para vibrar, libertar   Soltar a voz do coração em sentimentos   Explodir ondas de amor, para expandir   Seguir a beleza do pensar, colorir dentro

Um turbilhão de medos se despedem
Dores internas escusas, saem em fisas
Alegria invade, toma conta, inunda
O mal que machuca, sai num arranque

Pranto de bem estar, lágrimas de paz
Vontade de dançar, deixar o corpo falar
Rodar sem ver o tempo passar, até arriar
Vencer os muitos gigantes, sobrepô-los

Cantarolar em amor, faz a luz reaparecer
Louvar em cânticos à Deus, é poder clin
Quebra forças trevinas, desfaz as pinas
Amarra e destrói inquilinos das sombras

Nem todo cântico provém das alturas
Há espinheiros em meio aos frutíferos
Só cantam, reproduzem luz de holofotes
Estão no palco para enganar, negociar

Cantai um cântico novo, exaltai o beni
Com brados, com vozes de enlevo
Crie seu cântico, faça a música fluir
Deixe o Espírito de Deus dominar em ti

Enaltecer em cânticos ao Pai, benepraz
Traz o choro do regozijo, festa legrimim
Agrada ao céu, faz a felicidade bilim
Faz o magnífico marvilhar, o sol lindinar


Nilma Da Silva Coimbra

sábado, 19 de setembro de 2020

PROSA DE AMIGAS

Caminhando pelo parque, eis quem eu vejo
Gabriela, sem cravo, sem canela, sem doce
Sorrindo, toda esguia e faceira com amigos
Bem vestida, contando vantagens e fitas
Me viu e logo disse: "Oi amiga, tudo beleza?"
Disse que sim e continuei a trolar sem pressa
Logo começou a exibir sua lista de babados
Sem restrição do nada abriu a boca, detonou
Suas falas eram tão rápidas, pouco entendi
Desespero para contar, ânsia de ser notada
Amigos a gargalhar, sem motivo, risos banais
Alguns eram de seu bairro, outros engajados
Após uma hora de conversa jogada fora
Resolveu indagar a meu respeito, saber direito
Quais as novidades, pois não a via há tempos
Então foi que eu falei por cima das lutarras
Não foi conversa de canto, mas foi prosa rula
No entremeio falei de Deus e de seu valor
Expressei meu amor, o que é Ele para mim
Sem enfatizar, para a leveza pairar no ar
De repente me assustei, Gabriela destonou
Ficou de olhar ressabio, não gostou e disse:
Amiga, te considero muito, mas sou sincera
Desculpe se não gostar, mas falo o que penso
Respondi, tudo certo entendo tua posição
Ela então continuou com seu argumento
Menina, menina, pára de trolar conversa fria
Que não dá liga, que desanda a massa
Faz o bolo ficar na batuma, e criar casca
Disse a Gabriela em tom de brava, retruquei
Menina, tu és mais menina que as pequenas
Planto a semente do amor, por onde for
Não tenho vergonha de frisar minha fé maior
Sei e tenho certeza, que falar de Deus é mais
Se eu fizer um bolo, vai crescer e multiplicar
Conversa fria é falar de mentiras adocicadas
Discordo de ti, verás que Deus é tudo em tudo
Depois desse diálogo, pedi licença e me fui
Sai daquele borralho sem sentido, de vez
Nunca mais vi Gabriela, nem sei onde está 
Só sei que não me curvo aos impositores
Que querem me convencer de Deus não falar
Se teus amigos disserem, isto é papo vesgo
Replique e não se atemorize, enfrente o caso
Querem calar a voz dos salvos, em vão será

Nilma Da Silva Coimbra

FÉS NO MUNDO

Fé existe em muitas refalas, em larga escala
Está nas bocas e nas escrituras, nas calçadas
Há  ainda os que falam de fé, mas são vazios
Tem gente que não é doutor, mas a fé é posta

Digo e exponho as muitas "fés" que persistem
Que são as crenças sem fio, sem sustentação
Ditas a revelia, sem eira ou beira para sugerir
São relâmpagos de luz, brilham num fuchume

Variáveis e melinas são as fés que cogitam
Crer em algo, ter a certeza que irá conseguir
Convicção absoluta de algo, sem duvidar
Por fé em alguém, confiar totalmente, punar

A fé que move a loteria, é o jogo pelo dinheiro
Vencer envolve esforço, acima de tudo crer
Lutar e combater numa causa, sem regresso
É saber que valerá a pena, não será em vão

Qual a fé que já teve, foi acertiva, deu certo?
Baseado em que você adquire credibilidade?
Na aparência geral, ou na atenção lhe dada?
Quais os seus valores para ter fé profisa?

Fé popular, é a de Deus, que de todos é sabido
Por favor, não se engane, nem todo fiel tem
Estar na igreja é estar em Deus e ter fé rocha?
Estar em Deus é a fé real, crer e viver sem ver

Para ter fé de aço, que não quebra, não dobra     É preciso sustentação, fé por si é vazia, oca       É a base dela, que dará a segurança precisa   Esta base sólida e tenaz está em Deus supra

Uns possuem "fé no seu taco," e o eu treme
Outros tais, confiam em seus talentos frágeis
Existem os crentes do tirano, que já faleceu
A fé em macumba, ou feitiço, estes banidos

Qual a tua fé? Em que teu coração se afeiçoa?
Ou sendo mais realista não mais a possue?
Tua crença está em deuses fenícios mortos?
Ou quem sabe em senhoras desaparecidas?

Fé há em variações enormes, daria milhetos
Mas a que é absoluta, fiel e não há engano
Tem sua resistência permanente em Desuno
A combinação fé em Deus, potência extrema

Nilma Da Silva Coimbra


CONFIANÇA

Confiança é um ato que se compartilha         É quando alguém deposita credibilidade  Ter com quem possa contar, sem duvidar  Falar e repartir histórias pessoais, se abrir

Confiar no outrem, não se adquire na força
É preciso conhecer, observar nos mínimos
Colocar os pontos a favor, pesar os contras
O tempo e as atitudes vão dar o veredito

Posso dizer confio, mas será totalmente?
Existe a confiança cega, sem rejeição?
Nem todo confiar, é digno de aceitação
Delegar poder ou autoridade requer certeza

Neste conteúdo, confiar pode trazer riscos
O absoluto e o perfeito ainda são nuvens
Constância no agir, é a medida segura
Avaliar comportamentos difusos, é a dica

Não vá de imediato, num mergulho escuro
Antes sonde com zelo as nuances, reflita
O passo de crer e incumbir algo, define
Confiança manchada, é cristal quebrado

Segredar confidências, revelar confissões
Declarar palavras na intimidade, soltar-se
É de agrado inestimável, se verdadeiro
Se expor em transparência, requer verínea


Nilma Da Silva Coimbra

AS MINHAS PASSAGUARDAS

Lutas em guarda tenho passado, reviradas
Forças maléficas da ruindade para destruir
Todos os dias sou caçada, perseguida ripa
Empenho sem trégua para por fim na obra

São cães cheios de ódio e inveja estupor
Ora estão bufando em gritos de furor
Ou são ternura de capa, rebustes de amor
São mesmo a massa podre, caleficina vil

Dias de tormento, que resolvi esboçar
Tendo tarefas a cumprir, realizar a tempo
Explanar a contento prosas e sofrer abalos
Seres de ruindade suprema, embora doidos

A cada dia ataques de lados amploformes
Macumbas e feitiços em multiplicidade
Grupos se reúnem para destroça noturna
Banro, banjo e tralhas, enviadas a revelia

Inteligência quase zero, maldade graduada
São atingidos por Deus, por males infusos
São tão pérfidos, trúcidos, parar jamais
Estão a beira da confina, cansados, fracos

Jogam, lançam tretas com réstias e sobras
Nada mais temos dizem, mas enfrunham
Buscam gente do peri, para encerrar a joça
Guerra de torpedos, de nervos, de malhas

Esteja eu acordada ou em sono, sou visada
Sonhos invadidos, manipulam o enredo
Conflitos os dominam, pouco discernem
Fazem groinhas para sonar, depois insonar

Se o mal não for desferido, dor de funa age
Estão cegos, não veem cor, mas se calam
Querem viver, morrendo, a qualquer custo
Pelos seus embates, Deus os toca na risa

Não amam ninguém, são frios, gélidos
Conhecem a Deus, mas o renegam sempre
Se consideram auto suficientes e imunes
Em total degradação que estão, doentes

O que me faz viva, e me traz livramento
É o Deus do amor, que me resguarda, lavra
Permite que eu sinta as ferôdias, doriundas
Pressões algozes muitas, morte vetada

Se estou lúcida, viva em espírito e carne
Devo ao meu Pai de amor, meu protetor
Não fosse sua intervenção, morte deveras
Agora entendem porque falo tanto Dele?

A causa já está ganha, Deus no comando
Prossigo até o fim desta guerra travada
Eu presente ou ausente, tudo consumado
Na reta final, fechando a caixa de segredos

Nilma Da Silva Coimbra

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O QUE É FAMILIA?

Família não é uma fotografia na sala de estar
Ou mesmo a reunião de domingo dos filhos
Nem o andar de mãos dadas, sem querer
Ou chamar de amor alguém, só para parecer

É essencial ser família, numa união fraternal
Todos unidos em amor, numa união de laços
Ainda que diferenças surjam, haja interato
Mesmo que a distância separe, haverá o elo

Família há nos descendentes e agregados
Seja no trabalho ou comunidade, há coesão
Ela nasce do amor espontâneo sem obrigar
Da necessidade do homem se harmonizar

Uma boa família para se formar, amor é prior
Sem interesses sórdidos que trazem rancor
Se pretende ser família ou a ela pertencer
Deixe Deus tomar conta, Ele fará permanecer

Nilma Da Silva Coimbra 

domingo, 13 de setembro de 2020

COLCHA DE RETALHOS


Retalhos, nada mais que panos, sobras
Restos de tecidos, pedaços de histórias
Guardados para juntar, emendas sendas
Costuradas e enfeitadas a desejo, gosto

Colcha de retalhos, quem realmente faz?
Os que possuem paciência e vocação
Cada um na sua aptidão, para todos não
Um ato antigo, de intenções destrunas

Quem pode ter colchas de plume?
Aí há variação na condição, da situação
Hoje já se tem de prontidão tudo a mão
Houve tempos turvos, perder era fardo

Muitos juntam retalhos, dentro de si
Cortes de muitas partes quebradas
Lembranças e fatias de fatos negrumes
Que são como nódoas de tintas crustas

Não permita que o abismo te arraste
Há memórias de dores que afundam
Pensamentos do travesso que castigam
Nem todo raciocínio é o certo e absoluto

Nossa labuta, por vezes é a colcha rista
Que tem muitas faces, desvelos, fresgos
Queremos guardar despojos, e sofremos
Ideal se fizer colcha, seja novo e inteiro

Não crie emendas, não guarde velharias
Habitue-se com o novo belante, explente
Deus belúnico, tem novidades contíguas
Sem restos ou penistras, Deus é vidanei


Nilma Da Silva Coimbra

GENTE PEQUENA

Aqui não me refiro a estatura de alguém
Nem tenho como intuito o menosprezar
Gente pequena pode ter beleza exterior
O que mais falta entre estes, é o pensar

Podem até terem seus encantos, gantos
Ou passarem despercebidos, invisíveis
O fato é que, onde estão, são insensatos
Pequinês no cérebro, mente limitada

Tempo e ação sempre deve ser único
Nem sempre é o que se vê, desarranjo
O pequeno esboça valores distorcidos
Expressa sentimentos vãos, diz tolices

Gente de mente pequena exalta o erro
Não consegue absorver a realidade
O avesso tem mais propriedade, difama
Prioriza o que irá se perder, foge da reta

Dirá você, talvez eles não tiveram opção
Quem sabe os pesares causaram danos
Engana-se, quem os vê na inocência
Não querem mudar, espalham farofa

Destes tantos, se puder, não conviva
Afasta-te dos que lhe roubam tempo
Tiram seu equilíbrio, sua estabilidade
E ainda se deleitam nesta atrocidade

Aquele que tem como meta o crescer
Não se atém nestes enroscos banais
Mira no futuro, nas prizas, prossegue
Gente de valor, transpõe, transcende


Nilma Da Silva Coimbra

PALAVRAS AO VENTO

Palavras são ditas, reditas, proferidas
Em tempo e fora de tempo, são replidas
Faladas ao céu aberto ou isoladas, fisas
Soltas em vocábulos ou presas em nós
Em sílabas ou consoantes, são enfisas


Nem sempre se pode expressar, revelar
O que na mente vem, quer exprimir no já
Calar no momento certo, vale ouro gloss
Pouco alegar, silenciar é o diamante pris

Falácias jogadas ao vento, são revoadas
É soltar as frases no verbo, sem pontuar
Abrir as portas largas da loucura, glonar
Deixar acontecer, desatar a boca, largar
Assoprar sílabas ao ar, enviar ferezas

Revertendo para o bom proveito do ato
Abandone as palavras torpes, seja sábio
Espalhe pela fé no altíssimo, presentes
Vozes de bem querer ao mundo, belezar

Incontáveis formas há de anunciar palas
Narrar ocorrências, contar as venezas
Divulgar as frenetas, palestrar cerezas
Declamar sonetos, recitar proseados
Se for emitir sentenças, que seja belevi


Nilma Da Silva Coimbra

FELICIDADE EXISTE?

O que diria você, diante desta interroga  Pergunta feita a séculos, aí a retróga       Ainda é contraditório esmiuçar o tema  Alguns afirmam existir, outros se opõem

Diante deste impasse de múltiplas trinas
Felicidade se tornou assunto sem valia
Pouco se fala, diante de tanto emblema
Males que afloram encobrem a veneza

Aqui desejo explanar, sem querer impor
Me perdoem os racionalistas, ela é viva
Está na sabedoria, na arte do bem viver
Seu âmago é o coração, Deus o aliado

Me perguntam os mais revoltos, dolos
Os sem diretriz, sem rumo, que duvidam
Será  o homem infeliz se negar a Deus?
Não posso ser feliz, sem ser de Deus?

Todo homem é Livre, viver como quiser
Ir aonde a imaginação der, ou nada fazer
Seu agir conduzirá seu caminho, definirá
Felicidade é mais que estar, é buscar ser

Será o homem feliz sem ter Deus livuno?
Digo com clareza, sem Deus, é incerteza
Ser rico ou ser pobre não tem correlacão
Felicidade é estado constante, na friza

Os sem esperança, os mais desiludidos
Descreem de terem a sorte, estão aflitos
Creem em momentos felizes temporais
Alegrias esporádicas que são eventuais

Teorias diversas são adotadas a riveria
Por profissionais ou leigos, sem diretiva
Ser feliz quer dizer, união com o espírito
Em coesão absoluta com a supremacia

Nilma Da Silva Coimbra

PINGOS D'ÁGUA

Pingos d'água é o gotejar frisante, pisa
Num ritmo e som inervante, sem hesitar
Vem de manso, suave, ou de avanço
Cada pingo somado pode ferir um casco

Neste desague de águas que dançam
Ora se curvam e deleitam em esmiúcas
Num outro instante balançam e esguiam
Pingos d'água em tocos, enroscos, ripas

Pensando nestes traços, transportei
Pessoas podem ser pingos d'água dunê
Ou ainda pingos para trazer molha belê
Cabe então saber qual lado ser, pesar

Pingar constante na dor, pode ser siso
Num instante imprevisto traz a explosiva
Pingos de belintras, de amor sucessivas
São doces de especiarias em corações

Nilma Da Silva Coimbra

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

AOS TRANCOS E BARRANCOS

Frase conhecida e de uso pejorativo
Aos trancos e barrancos é o escape
Igualmente é um estado de momento
Pode ser a escolha errada para não ser

Trancos de embaraços, de desencantos
O qualquer jeito é o imperfeito proposto
Não se importar em aprimorar, tanto faz
Andar em solavancos, sem rumo ficar

Ir por onde o mais fácil levar, não pensar
Se ocorrer tudo bem, amém, senão melô
De qualquer forma, é viver sem o querer
É jogar a sorte e não saber por onde vai

Assim muitos caminham, sem perguntar
Como anular trancos e tirar barrancos
Creem não ter solução mais, se rendem
Aceitam derrotas em série, inércia vista

Há um motivo sísmico em cada um
De estar nesta condição de pendenga
Estar em desequilíbrio constante, erro
Querer acertar, mas o errado sempre dar

Buscar respostas aonde é inexistente
Se achar auto suficiente, mas fracassar
Quer vencer com o falso esforço próprio
Provisão gratuita, posição ideal, quista

Viver em constância de desatinos dunas
A cada passo pedras de tropeço pisar
É deixar o mal se apoderar, tomar conta
Cair na areia movediça e querer afundar

Reaja e negue qualquer tranqueira posta
Se em Deus buscar ajuda, verá o liviar
Ainda que desafios venha, paz reinará
O Pai vai colher tuas lágrimas, as secará

Nilma Da Silva Coimbra

O PRAZER EM PERTURBAR

Convenhamos, é imensa a lista de fiúzas
Gente de mente pequena, frieza posta
O prazer de destruir em multiformas
Atingir o ponto fraco da vítima até danar

São de categoria das grossuras difusas
Gente de nome, mas de ruindade biúna
Acima de tudo vem o satisfazer perecer
Quebrar estabilidade, matar o bem estar

Os meios para as infusas são ferrentes
Há um prazer maquiavélico em desferir
Por todos os meios querem inferir, zunir
Usam a capa do encobre, e fazem o bolo

Gostam da sabotagem, da coturna puna
Tudo que tiver a disposição, para a buta
De longe ou de perto, conforme der linha
Balas vem de todo lado, até estilhaçar

São de camotinar, se juntam em bando
Fazem trocas de flancos, querem drenar
Usam forjas de garantos para viezar
Usam tribuletes para vencer o tribunal

Garfinetes de cisuda, pontiagudas, fisas
Carapacas de renome, dobradiças doble
Benzoatina de galanto, pentato verde
Purpurina de granila, benzoato benzila

Maldades fazem em piquetes ou vanto
O que a condição der, o que a tina puder
Pode ser em casa ou fora, é o vale tudo
Na palavra da onça, ou da benuza avulta

Não há regras, há sim extermínio, drida
Destruição no enlevo, na cachaça pinda
Enfiuzar, é o nome da empreitada agora
Para destroçar por dentro com ferrantos

A todos os afetados por estes vândalos
Saiam desta cozima de ferver, decoste
Só os da enlima do altíssimo, os blantos
Não serão atingidos, os da primeza plin

Nilma Da Silva Coimbra

PESCADORES DE LITERATURA

Pescar peixes, uma arte para poucos
Pescar almas, um prazer dos salvos
Um dom, para muitos um chamado
Pescar obras escritas é arrancar pelitras
É roubar do rio alheio palavras, frases

Pescadores há de todo jeito, tipo, classe
Os que pescam para serem vistos
Outros pescam para esquecer, bulir
Passar o tempo, espairecer, não pensar
O que desejo enfatizar, é o que sorrateia

Pescador de fisgar, vasculha jóias raras
Tira de um contexto e põe no seu texto
Mistura verbetes e filetes a combinar
Revisa suas sentenças para equiparar
Num ato de autorizado diz: Isto é meu

Por este ato de infringência, fique atento
O rio é de grande fartura, mas tem banto
Há riquezas nas águas, também barro
O pescador de letras, ora acerta, ora erra
Vive do produto alheio, ilegítimo,falsário

Nilma Da Silva Coimbra