sábado, 30 de maio de 2020

"SOU DONO DO MEU NARIZ!"

Expressão conhecida, fala chula sim
Quem a diz, considera ser dono de si
Independência das finanças, desapego
É o não querer, que venham se meter
Na vida privada, cada um no seu lagar

Mas será o que se diz, é o que se prediz?
Somos donos de nós mesmos, altruístas?
Em que sentido, até que ponto, Certeza?
Tudo posso, consigo, sou bom nisso?

Somos responsáveis por nossas atitudes
Isso é sabido, indiscutível. Agir cônscio.
Tudo podemos num pensar positivo?
Sabemos tudo sobre a vida no mundo?
A perfeição queremos alcançar?

Se a doença vier, podemos tudo conter?
O nosso entendimento é limitado, falho
Nossa mente, por mais intelecta, varia
Nosso corpo faz sempre o nosso querer?

Se somos donos de algo, é temporário
Nossa vida é breve relance, luz refluxa
Vivos hoje, amanhã estaremos?
Seja rico de vida prelita, de amor eviterno
Acumule muita beleza interina, fidalguia

Nilma Da Silva Coimbra

"SOU CRENTE SIM! CONFIO NO MEU TACO!"


Sem querer ouvir, ouve-se o que não quer
Palavras jogadas sem pensar, é de fartar
Nem sempre é de agrado o som da farola
Mas quem está livre de uma parola zuna?

Deve haver quem até ache graça da frisa
Os adeptos da incredulidade desassistida
Riem, debocham da palavra avessina
Mas é de arrepiar a afirmativa do petula

Divertimento é para tais sujeitos da beira
Serem vistos como crentes, indo a igreja
Mestres em encenar, dizem ser irmãos
Falsidade respiram, se acham muito bons

Crente em Deus, confia no Pai de amor
Assume de inteiriça a sua posição benevi
Não tem medo de extremistas, confirma
É de suportar, enfrentar, em dor, por amor

O arrogante que fraseia para parecer ser
Perde no soleio e na investida, ao trolar
Sempre tem um para calcar sua fusa
Sua fala já está sentenciada, rechaçada

Pessoa de Deus, dirá: " Sou crente sim!"
Não abre mão de ser do rebanho do bem
Confia e segue a Deus, sem duvidar
Sua salvação está em amar a Deus linial

Nilma Da Silva Coimbra

MÁQUINA IMPLACÁVEL

Uma máquina de engrenagem, de rodas
Gira sem parar, lentamente criva a hora
De proporção gigante, complexa, cruel
Sem retrocesso, somente avança, pontual

É antiga, e o que faz mover, é mistério
Tem ligações intrínsecas, é de arquitetar
Seu objetivo é juntar peças e encaixar
Faz na sincronia, mas nem sempre acerta

O tempo acelera, mas a máquina perdura
Continua no mesmo feitio, de trinas fusas
Guarda segredos conforme executa, prina
Serve uma classe específica, mas amplia

Dispositivo mecânico de múltiplos feitos
Provoca efeitos de espanto, da ignomínia
Ela se sente indomável, mas não sabe
Que dentro dela, outra máquina a domina

Como um relógio, é precisa e determina
O tempo de ser o que tem que acontecer
Ela dita as cartas a estarem no jogo
Nem sempre os escolhidos são da beni

Engenho de hábil, fascina os encantados
Produz luz que cega os deslumbrados
Traz igualmente a ação implacável malin
Embebidos por ela, muitos vão ao abismo

Como ver e desejar uma mulher sedutora
Se entregam de corpo e alma, se ferem
Quem entra neste sistema de arquícios
Não consegue voltar, se amar o poder

Máquina mortífera, executa sem vestígios
Mostra-se forte, de dureza invencível
Desconhece o seu criador, quer domínio
É apreciada pela sua falsa imponência

Mecanismo de fiúras, alguém a segura
Percepção, sentido em desuso por golos
Deus não vê tais atrocidades todo dia?
Sim, só o supremo, pode parar este feno

Nilma Da Silva Coimbra

SUPOSIÇÕES

Deduções do proceder, do pensar ser
Conjecturas nas elocucões, enrrolabas
Estimar os fatos, sem uma conclusiva
Deixar planar uma dexa, abalar a certeza

Presumir por achismos, fatos de nuvem
É andar a volta do palácio, e supor relato
É estar no escuro e discursar a luz do sol
Ainda que seja sincero, verdade não será

Subentender algo, deve ser bem exposto
Para que o ouvinte tenha conhecimento
Inferir com palavras, para desacreditar
Traz danos a moral, é da malignidade

Se alguém te abordar, e perguntar se será
Ou sua opinião de antemão, no pode ser
Diga se souber, na certeza, senão se cale
Hipóteses são possibilidades, inverdades

Nilma Da Silva Coimbra

quinta-feira, 28 de maio de 2020

VEM, POVO MEU! O Clamor de Deus aos homens

Ah! Se os homens compreendessem
O imenso amor que tenho por eles
Viriam para meus braços, correndo
Receberiam amor de Pai, amor veraz

Estou aqui, diz o Pai, para lhes acalentar
Espero de coração aberto filhos meus
Onde estão os que querem me amar?
Para onde foram os que voltaram atrás?

Digo sei, conheço o profundo de cada ser
Estou ciente dos pensamentos, e intentos
Pergunto a vocês, respondam para si
O que vale estar nesta vida, sem paz?

Sou onipresente, estou em todo lugar
Mas falta estar no coração de muitos
Querem meu amor, mas não me amar
Querem bem viver, viver em Deus não

Desejam ter tudo de bom, o melhor
Exigem regalias, esbanjam arrogância
Se auto denominam imunes, suficientes
Creem que não precisam de "um" Deus

Homens de bruta cerviz, implacáveis
Assim tenho visto muitos, opressores vis
Amam somente a si mesmos, vorazes
Dizem amar o próximo, para serem vistos

Enganos, aberrações extremas, astúcias
A busca insaciável pelo poder, ganância
Atingir o pico mais alto por meios ilícitos
Riquezas para corromper, ludibriar, impor

Tudo posso fazer, todo poder é de mim
Acima de tudo, sou amor, proclamo isto
Quero filhos que me amem, nas atitudes
Se não vierem por amor, não serão meus

Muitos dizem me amar, sim, por interesse
Ter tudo da vida sim, o dono da vida não
Ter amor do próximo sim, ser amor não
Destes também não tenho parte, compelo

Este desacordo de ingratidão, não faço
Querem usar filhos bons, para ter favores
Usam da minha Palavra, querem fraudar
O amor querem possuir, mas ser, negam

Preparo a casa para habitar os benditos
Ela é linda, terra amada que gira redefisa
Só estarão o trigo bom, as uvas da coroa
Os que me amam, me ouvem, os remidos

Vem, povo meu, chamo todos os benitos
Os que amarem a mim, a verdade, a vida
Serão escolhidos, virão comigo reinar
Os que me rejeitarem, morte eterna verão

Nilma Da Silva Coimbra

ARAMADOS

As vezes me pergunto, o que mais virá?
O que será da humanidade e seu reinício
Visto para quem quiser, caos e desordem
Coerência e equilíbrio cairam, queda livre

Não é só do lugar onde se vive, é mundial
Diante da pandemia, outras são seculares
Surtos de loucura bissa, há em toneladas
Excesso de homenagens da fenarca há

Quem quiser entrar neste trem de "balas"
Prepare seus assentos, velocidade zaz
Mas não será por muito, logo se findará
A viagem é breve, tempo contado será

Busca desenfreada por poder, sem senso
Há jogos sendo aramados, calhoças
Cada um escolhe a trama que mais crava
Jogos de gostos variados, para derrubar

Falas perturbadas, histórias infundadas
Estratégias de comboio, conchavos dolos
Negociatas de trambiques, táticas de bile
Cartas são marcadas, há um para pular

Abertamente se faz muitas treçalhas
Tranças de palavras amargas para venar
Jogadas na lama para danificar, destruir
Todos os da lista negra, deverão cair

Planos de dano arquitetam, outros cofos
Usam e abusam de gente, sem restrições
Se veem acima da lei, espertos se acham
Aí daqueles que tentarem ferir seus brios

Muito há o que se dizer destes ferrolhos
Por enquanto deixo algumas prenúncias
Este rolo compressor está se abrindo
O Deus de todo poder, revelará a finália

Nilma Da Silva Coimbra

FALSO BRILHO

Estou diante de um grande circo de nome
Onde todas as atrações permeiam
Artistas de refino, animais de esoteria
Shows tem todos os dias, com matinês
Apresentações excêntricas, exóticas
Palhaços não faltam, sobram palhaçadas
O público se anima, aplaude e aprecia
Cada um se apresenta, com sua fantasia
Todos parecem alegres, divertindo, rindo
Mas onde estou neste circo de fama?
Nem nas cadeiras, nem no picadeiro
Cheguei até o meio da entrada, ali fiquei
Vi tudo o havia de belo, mas não sentei
Observei os atores da alegria, meditei
Será que são assim quando tudo se fina?
No camarin onde se personifica, como é?
A euforia do sorriso, como a fabricam?
Será espontaneo o que vejo ou induzido?
Viver para a arte, ou arte para viver?
Há felicidade em seus corações por isto?
O que refletem condiz com suas vidas?
Respeito todos os artistas de circo
Cada um tem sua história e sua versão
Não julgo seus artifícios ou seus pleitos
Exponho o que de mim é legítimo
Então conclui, que o circo é o falso brilho
Se muitos nele se identificam, me excluo
Saí daquele alambrado decidida, parti
Ao longo do caminho soltei pensamentos
Que a tristeza, cansada, quer falsear
Luzes sobre escombros, é o lume negro
Há uma ilusão do riso, paga pra ser vista,
Sou da luz viva, da luz não produzida
Quero ser eu, seja na terra, ou na lua
Verdadeira, sem costuras, sem fisgas
Tendo sempre Deus, como meu exemplo

Nilma Da Silva Coimbra

"ESSE É GENTE BOA!"

Quem nunca ouviu de alguém um aparte
Solicitado a prosa, ou vir de sobressalto
Palpitar, para sacudir : "esse é gente boa!"
Se der trela, enfeita: "nesse cabra confio!"

Aqui ou acolá, há de se conhecer um cato
Que gosta de enfatizar o bisca, para belar
Até creio na boa intenção que tem uns
Nem todos são da coça, há gente boa, há!

Tu há de convir comigo, é jargão de mafa
Cidadão que faz a cena, para ver a queda
Para dar um desmerecido, se der, belê
Cabe ao acompanhante saber o rolê, caô

Fica aqui minha dica, não se apoquente
Destes vivaldos, tem de monte, desvie
Se te encostar um deles, nestes termos
Somente diga: " taí, meu caro, vamos ver!"

Nilma Da Silva Coimbra

sábado, 23 de maio de 2020

O COLECIONADOR DE ALEGRIAS (Osvaldo Cruz)

Vou lhes contar uma história verdadeira
Que é de besilim, da bondade blinda
Fala de um homem de força forazim
Um colecionador de alegrias fintas

Vivaz e exemplar, trabalhador extremo
Temente a Deus, ciente e valente
Medo não conhecia, sabedoria refina
Gostava de brincar, sorriso a vista

Falava em solfejos, descrevia contos
Ninguém o alcançava nas composições
Era sincero, exaltava o que era de mérito
Muito conhecido, invejado, mas sóbrio

Tinha muitos adeptos, supremacia rista
Dizia em seus versos, resistir é a saída
Tinha muitos projetos, era multididata
Do seu sofrimento fazia piada, tilintava

Reconhecido mundialmente, não ligava
Andava solto, na pressa, sem precaução,
Visitava os amigos, solidário, os amava
Contente continuamente, nada o arredava

Época da grande guerra, desafios trinos
Quase atingido, não se abateu, persistiu
Pestes, doenças mil, vírus surgiram
Médico, cientista, inventou vacinas

De muitas treçuras, viajante de espessura
Persona grata, mas alguém o sabotoi
Nem tudo é revelado, fatos não contados
Foi perseguido, mas de Deus não deixou

Foi embora bravamente, seu legado ficou
Sua alegria era notória, juntava esperança
Nunca se abalou, dores não lhe pertencia
A vida era seu clamor, exuberante, galada

Vibrava quando vidas eram resgatadas
Triunfou em todas as diretrizes trilhadas
Só uma questão não viu, mas prossegiu
Este é Osvaldo Cruz, o homem da alegria

Nilma Da Silva Coimbra

PRA TI, PORTO ALEGRE!

Porto Alegre, dos muitos povos distantes
Das misturas de raças, se formou forte
És temida pela história, conta os anciãos
Tantos são os galatos, pioneiros relatam

Antes do porto haver, algarves surgiu
Filantras sem fim de gente primaril
Vidas com espíritos de luta, de prontidão
Desejos de conquista, imigrantes de valor

Séculos de contradições, pelejas duras
Grandes batalhas, confrontos de intentos
Formaste bela, em meio a assombros
Apesar das empreitadas, rusgas ferozes

Algozes se infiltraram, desvios de sonhos
Pretensões adiadas, sem despedidas
Terra a ser dividida, fora preterida e refisa
Hoje abraçada, embora haja ressalvas

Tantos parameios e paralelos em confisa
Vieram os prós e contras das opiniões
Gaudérios e prendas estejam unidos
Metrópole gaúcha, és Porto, acolhedora

Cidade dos rios, parques, das belezuras
Tantas lindezas de causar cobiça, fiuza
Se não deres, quem te dará devido valor?
Desperta! Tu és amada, ama-te corazim

Nilma Da Silva Coimbra

PERSEGUIÇÃO MALEFICINA

Quem pode sondar um coração sofredor?
Quem pode entender as fissuras da dor?
Somente os atormentados sabem o furor
Os que sem causa, padeceram de chacin

Antes de nascer, marcada para morrer
Em vida, todo tempo, observada na criva
O que era para prazer, foi de estremecer
Viver, um ato de bravura, sem sobrepujar

Escrever tais lembranças é reviver paúras
Se for de torturas incessantes, é delírio
É estar com febre e deixar o corpo nu
Não desejo esta cruz a outro ser vivente

Tormentos dia e noite, infringida, balida
Rasgada por dentro, cortada aos bocados
Espírito dilacerado em frangalhos, cacos
Ataques dos mais dissolvidos para ferir

Esmagada no pilão, até não mais sentir
Castigada por muitos açoites, para fener
Sem trégua, sem descanso, sem dormir
Fui tratada como escrava, sem entender

Artifícios de feitiço, da maluba eu vivi
Todos os demônios de bandeja enviaram
Ruindade cruína, maldade runa purina
Ódio sem limites pairava, veneno levava

Tantas foram as armadilhas, troças bilas
Que a ordem para mim, era esquecer
Baratas jogadas ao ar, vespas mortais
Bonecas para esfaquear, é daí pra mais

Se eu disser todas as infisas que passei
A maioria não vai crer, ou mentira pensar
Ainda sim quero afirmar, verdade selada
Desespero, pranto contínuo, sentir-se só

Termino aqui estes versos, rever é sangra
Ainda é preciso encerrar a macabra fada
Contudo quero frisar e deixar clarente
Deus sempre me livrou, meu eterno amor

Nilma Da Silva Coimbra

PONTOS DE VISTA

De onde parte o ponto se avista
O ponto sem vista, é desponto
Cada ponto de vista, se dá um angulo
Ponto de lá, não se vê o ponto de cá

Ponto sem vista, é nulo, destisa
Pontos de vista são obtusos, tortusos
Ponto que não vê outro ponto nem vista
Uns estão recôncavos, outros retilineos

Um ponto vê frontal, outro vê o parcial
A primeira vista tudo parece igual
Mas o ponto e nem a vista é dimensional
Ponto só, não tem sentido, é terminal

Assim ponto não se perde de vista
Ponto de vista, é o parecer, pode não ser
Posso ter muitos pontos a discorrer
Pontos de vista, é onde meu alcance está

Nilma Da Silva Coimbra

domingo, 17 de maio de 2020

MINHA PORTO ALEGRE poesica

Minha amada Porto Alegre!
Graciosa, linda de belê
Forte, de raça, de contraça
Cidade de resistência!
Deus seja com tua presteza!

Nilma Da Silva Coimbra

EXTRATORES

O que menciono nestes versos de prestin
Não é novidade, é algo sabido e referido
Artifício dos astutos, obra de sagazes
São os extratores da literatura, usurpam

São eles do ramo das letras, os picuins
Estão por toda parte, ervas ruins sem raiz
Querem ser conhecidos, pela luz roubada
Querem o brilho do palco, mas insolutos

Extraem, desviam, distorcem os verbetes
Fazem um quebra-cabeças de solfetes
Juntam o nominal com advérbios soltos
Catam sentenças, fazem a pesqueira

São de todas as linhas, em todo cabal
Atuam tanto na beira, como na profunda
São infectos, repassam seus maus ideais
Acreditam que não há outro modo a fazer

Embora leis e regras sejam conhecidas
Ignoram tais decretos, passam por cima
Creem que não serão descobertos, pegos
Agem no oculto, expõem a vista, miúcha

Se tens sido coligido por extratores pelin
Não se atemorize, permaneça firme
O que lhe pertence, será reconhecido
Deus, Ele, pode bloquear, dar "a guarida"

Nilma Da Silva Coimbra

CENÁRIO DE GUERRA

O que minha pretensão impulsiona fazer
Não é de fato um ato de destrato, zomba
Nem uma desculpa para derrubar o fardo
O que meu espírito grita, vou agora falar

Navegando e percorrendo no universo net
Observando as posições pessoais diárias
Vejo tantas aberrações, poucas notórias
Assim muitos se sentem, poucos expõem

Talvez o que eu fale, nenhum efeito surja
Há muito que tais episódios ocorrem
Não somente on line, mas na mídia vasta
Tem sido uma constante, falta correlata

Na imensidão da comunicação, se soltam
Gente de toda estirpe, de muitas caras
A jorrar seus sentimentos desatentos
Expressam seu pensar sem reflexar

Há experts em tudo, outros apenas impõe
Muitas falas soltas em escritas e visões
Engano há se alguém supor tanta retidão
Todos querem estar com a verdade suma

Diante a tanta pressão para relatar, frisar
Notícias tem que saltar, palavras pular
Inumeráveis são as causas em jogo
Se expressa assuntos repetidos, repostos

Neste frenesi de imposição e ganância
Um grande número já não mais suporta
Mas entraram para a subida enfurecida
Descer do trem andando, muito arriscado

Então o que fazem nesse impasse largo?
Iniciam um processo de invento, historiar
Mentes se tornam perturbadas, cansadas
Apesar disto, o perfeito irá representar

Ordens expressas são dadas, infernizar
Um tal mandante do escalão dita a reza
É para desbancar este que supõe ser
Até que o escolhido tome a coroa e trono

Uma guerra de informações e nervos
Jogatinas pelo poder, para no topo se ver
O que vai por trás da imagem, você sabe?
Um cenário que não pode ser revelado

Uma novela se descorre, sem prazo final
Nenhum dos atores é persona principal
Onde estão os mocinhos aptos a salvar?
Não há heróis neste conto, só infratores

Finalizo esta prosa de trolas e de trancas
Para que se desfaça as lambanças dunas
Esperando e crendo num desenlace bono
Que seja o que tem que ser, sem caroços

Nilma Da Silva Coimbra

A FACE DO ABISMO

Estamos na face da maior caída refinda
A cada dia uma descida descomunal
O mundo num completo avesso, pertúrio
Nada está em seu devido lugar, fonúria

Século de assolacões, desolacões, ruínas
Não será esquecido estes assombro
Lembranças de dores das mais sombrias
Ainda não é o fim do abismo, há rescaldo

A queda está acelerada, em expansão
Como um vulcão em erupção, desamba
Desequilibrio, desalinho, sem controle
Sem prazo de finar, na face do abismo

Governos sem direção acertiva, refesas
Morte a competir com a vida, desespero
Diante deste terror de prisa, venedita
Ainda há águas que não foram vistas

Mundo que com zelo Deus fez primor
Está por fora de beleza inconfundida
Mas dentro passa por reformas doloridas
Até estar no prumo, muitas condolências

Nilma Da Silva Coimbra

ADEUS MORASSIM

Ouço o refrão de uma melodia antiga
Música linin, filme de época, de dorasim
Se repete por vezes, lágrimas me veem
Ela lembra uma despedida, um adeus

Vem a minha lembrança, fragmentos
Que gostaria de compreender tal revelo
Não sou de estimar o preter, o que se foi
Mas naturalmente surgiu, nem sei dizer

Então me vi despedindo de um tempo
Fechando a porta da vida, partindo
Alguém em nome da morte, me desfere
Meu Pai o ser maior, me resgata da sebe

Não sei detalhes, só sinto o golpe da ida
De deixar pessoas queridas, amadas
Mas havia a infelicidade que me odiava
Então fui para cumprir o dia de voltar

Morte, me quiseste consumir para findar
Te digo, vivo, viverei, eternamente serei
O sempre nunca cessará, nada me deterá
Com Deus, meu maior amor, estarei rená

Nilma Da Silva Coimbra

segunda-feira, 11 de maio de 2020

MENTES PERVERSAS

Num universo atual de imensidão mali
Comentar sobre almas de butos, intrusos
É o comum mais engraçado, quem liga?
Farei então uma abordagem extrema, fisa

Astutos, ardilosos, disseminam em doses
O intuito é em gotas, trazer dores gonas
Raramente fazem a jato, depende do ato
O objetivo é destruir o selado, abater

Você até pode não crer, entender exagero
Sim, parece uma história de nós roscados
Vejo o teu lado, mas descrevo meu passo
O que conto nestes versos, são de fato

Por séculos espalharam desgraça, drifas
Pela prostituição, divisões diversas
Idolatria a imagens, se fez assim aceita
Feitiçarias aperfeiçoadas, recriadas

Sem parar de estraçalhar, criaram regras
Todas para destroçar, as avessas, corroer
O desejo de corromper, é dominante
Mentes perversas em ação, sem importar

Como obras de carnificina, difundiram
Imoralidade, lascívia profusa, inimizades
Discórdias, egoísmo, inveja, ciúmes, iras
Muitas outras derivadas se multiplicou

Se antes podiam ser donos da maldade
Por métodos mais eficazes e incisivos
Onde o silêncio ditava, ou pena de morte
Hoje estão desprovidos, resta a ruindade

Frios de sentimento, falseiam bondade
Apreciam o bem visto, disfarçam sempre
Não são honestos, mas cobram o ato
Mostram-se inteligentes, assim se veem

Se afrontados ou na berlinda, fingem
Vão as últimas consequências, negam
Correndo risco ou não, nada falam, vetam
Se há palavras, em nível muito discreto

São perigosos, embora digam o contrário
Sorriem, contam piadas, brincam muito
Mas tudo para mostrar um lado irreal
Antes conversas podres, hoje obrigado

Mentes perversas, ainda anseiam o mal
Em todo tempo armam laçotes de aço
São pedras de tropeço, para os corretos
Se não impedidos, arrombam, arrasam

Eis que está no fim os dias desta praga
O que causa contágio, morte, apagado
O Deus de justiça finta, está no controle
Os que forem da perversidade, desfenado

Nilma Da Silva Coimbra

ESPERANÇA E FÉ

Ouve -se elas todos os dias, quem sente?
Tão mencionadas pelas bocas, dia a dia
Disseminadas à riveria pelas calçadas
Muito referidas hoje nas poesias da mídia

Esperança, esperar sem tempo marcado
Crer que pode acontecer, mas é certeza?
O que vai no coração, quem saberá?
O grau de cada um, só o portador e Deus

Perseverança, sinônimo a ser cultivado
Uns já a possuem e permanecem firmes
Outros ainda no começo da jornada
Mas os de esperança farta, prosseguem

Sentimento de largo entedimento, fenzo
Expectativas e possibilidades ainda a ser
Afirmar que é certeza a espera se viver
É andar na corda bamba, e saber o risco

Cabe frisar com frimesa, confusão há
Das dicotomias que envolve palavritas
Esperança não é fé, discordo do tachado
Para uns sim, mas o não pode vir resoluto

Fé é a certeza absoluta do será, antevisto
Convicção sem sombra de dúvida, exato
Espere sempre pelo melhor, mas analise
Ter perspectivas futuras, são viabilidades

Lutas e sofrimentos contínuos, dor ampla
Desgastam por dentro, trazem desgosto
Nem sempre probabilidades é conclusa
Esperança em Deus, é a fé precisa, incisa

Nilma Da Silva Coimbra

AS PANDEMIAS

Sabido e comprovado está um surto enzo
Vírus de alto contágio e percussão
A infecção se alastrou no mundo, pelurou
Epidemia de grande vulto, riscos graves

Na mesma proporção e em paralelo
Há muitas outras pandemias circulando
São outras doenças antigas que resistem
Em nosso país e tantos outros demais

Brasil, é terra amada, mas sabe amar?
O amor tem sido unilateral, eu em alta
Os que podem mudar a história, o fazem?
Com esmero, para si, em nome do povo

Um grande empenho perssiste e infiza
Atos repetitivos em todos os tempos
Governo após governo, os mesmos vírus
A busca pelo poder, a qualquer preço

Oportunistas de brechas para infiltros
De todos os lados para anular o veredito
Destroçar esperanças, desmoronar tudo
Se organizam em quadrilhas, em finisas

Vamos derrubar, retirar o tal "pedranca"
Influenciam espertalhões, sórdidos
Para como numa orquestra em desafino
Em uníssono tocarem a última farsa

O fim desta parafernália, quem saberá?
Guerra de nervos, de fomentos, eclosão
O dia da queima do estopim, prestes a vir
Muitas toalhas jogadas, sedas a rasgar

Quedas de muralhas, quedas de senhores
A subida será sofrida, um equilibrista virá
Teses e teorias de especialistas, cairão
Os imperiais da informação se enclinarão

Desordem temporária, logo restabelecida
Verdades vendidas, mentiras bem quistas
O ser humano é impulsivo, será lapidado
Deus o grande oleiro, modela seus barros

Nilma Da Silva Coimbra

segunda-feira, 4 de maio de 2020

POETISE, DIVERSIFIQUE

Poeta, hoje minhas falas é contigo
Minha intenção é somente de confabular
Me permita trocar algumas fitas, beliscar
Numa interação em acordo, harmonizar

Respeito teu estilo de se expressar,
Cada um tem seu modo peculiar de ousar
Tedioso seria se todos fossem iguais
Viva os contrastes, as muitas belezas

Falo do meu ponto vista, do que percebo
Muitos podem até discordar, porque não
Liberdade de opinião, deve-se cultivar
Vou colocar alguns pontos a priorizar

Observo pela leitura diária de textos,
Através de poemas, versos e contos
Que muitos enfatizam e intensificam
Histórias e pautas repetidas e reditas

Um só tema se replica várias vezes
Fala -se maciçamente e incansavelmente
Os mesmos assuntos sem questionar
Que temas novos precisam se explanar

Aos poetas de identidade cisa, verifique
Observe as escritas atentamente, reflita
Pouco se dá importância ao remix, atine
Poetas então, não há devida prioriza

Não aponto nestes dizeres, tu ou eles
Somos todos limitados, pouco sabemos
Até onde alcançamos, vemos, chegamos
Se puder, estenda seu potencial, amplie

Cada pessoa tem seu agrado, num ritmo
Alargue tua amplitude, vasculhe, avulte
Escreva o polêmico, o que se oculta
Arranque temas do medo, desmistifique

Aí de mim se não abrisse meu verbo
Reprimir palavras traz engasgo, bloqueio
Sejamos coniventes com a verdade
Recheie suas letras com justiça e deleza

Pense, reflita, seu conceito sobre o amor,
Diversifique e exponha pontos atuais
Faça do seu jeito, sempre, personalize
Letras são armas, usea-as para guerrear

Nilma Da Silva Coimbra

ARMOSSAS (armadilhas)

A quem pertence armossas de belindre?
Provém de gente malogra, de ruptores
Um desejo intenso domina, de prejudicar
Aos poucos, dia após dia, banir, aniquilar

Feitas de muitas diférias, são tortilhas
Restilhas de coisas que ferem, rompem
São tralhas de ferro, pregos, cozimas
Terra pura, pó de serra, fagulhas de vidro

O que estiver disponível de porcalhas
Vai no pacote, na sacola, na alforje
Vai de forma estranha, chega via energia
Mas o ingrediente atuante é a ruindade

Individual ou coletivo, o alvo é escolhido
Todo dia é repassado a todos o ataque
É estabelecido a hora, para ser espalhado
Ironicamente, também são afetados

De qualquer lugar, enviam para o sofredor
Alguns até se esmeram, fazem gandurras
Bonecas minúsculas, ínfimas, de massa
Em turmas de trinca ou mais, levar a doca

A intenção destas investidas, é tripudiar
Devagarinho e de manso, por fim de vez
Sem testemunhas ou provas, findar, curó
E ainda sim, fica sem desfecho, prisão

Não há trégua neste encalço, sem fenaço
Assim que terminam um trato, outro vem
Tudo de novo, com outras tralhas e plano
E nunca se acaba a armossa, é diversão

Por estas arapucas de alçapao, tramóias
Pessoas desfalecendo de forma enfática
Deus interferiu nesta emboscada armada
Pelo clamor, não mais haverá a caçada

Desfeita a trama e o drama da trapaça
Maldade deste calibre, não mais haverá
Extraída foi a raiz brava, maleficino vená
Mais um entrave Deus desfaz, menomá

Nilma Da Silva Coimbra

FRUTAS PODRES

Alguém um dia plantou uma árvore retra
Em meio a uma plantação de plume
A que foi agregada, se adaptou, cresceu
Tomou forma, floresceu, se multiplicou

A árvore que foi posta para parecer igual
misturou-se a imensa paisagem verde
Frutificou, e suas sementes replantadas
Tornou-se forte na ruindade e amarga

Em meio ao arvoredo, havia as plíneas
As que não foram contaminadas, trinas
Diante da profusão e da miscigenação
Contíguas, altaneiras, de estirpe nobre

O tempo fez a plantação se expandir
O doce e o amargo convivendo juntos
Mas a ruindade se enraizou, enfernizou
Desferindo pragas às delosas, martírio

Deus, durante anos em muitos tempos
Diante da grande devastação, agiu
Tratou com misericórdia, para o conserto
Mostrou a bondade e amor, aos bozenos

Plantação ruidosa, só de beleza externa
Por dentro, cheios de xenas, coventos
Os que não foram atingidos, resvalados
Mas a plantação renosa, quis ser trento

Assim sucedeu a infestação da malina
Séculos de raiz e caule endurecidos
Até que viesse a justiça de Deus fenida
Para que da terra fosse tirada e extinta

Neste joio de frutos podres e malogros
Um corte tenaz se faz em todo o planeta
Garimpo dos mais precisos, peneira fina
Só as sementes da vida plina vão viver

Uma separação gigante se evidencia
Nem todos vão concordar com este dito
Em época certa, a verdade será lumine
Só frutos da essência senior subsistirão

Dias de muitas incertezas todos vivemos
Doenças, vírus de infestação, morte certa
Curas paliativas, sangue com sangue, virá
Enfim o veredito final: Vide de Deus viverá

Nilma Da Silva Coimbra

A NOVA CASA

Estamos de mudança, prontos para sair
Não levando nada, senão o que precisa ir
Não mais tem sentido ficar neste espaço
Um novo recomeço, aqui a obra já se fez

A nova casa foi preparada, com esmero
Agora está com cores da vida, inovado
Maior, mais bela, mais espaçosa, branca
Há lugar para todos os que são dela

Mais nem todos vão entrar na casa
Ainda que desejem muito, será seletiva
Só os que a construíram vão nela estar
Aqueles que com amor deram sua fatia

Uma casa especial, para os muitos raros
Separados do joio, o trigo limpo e puro
São as frutas nobres, de valor mui grande
Junto vem as flores, as mais exuberantes

Nesta casa vão estar todos os fortes
Os da beleza de dentro, os belumes
Os que rejeitaram o mal, foram do bem
Todos os de coração aberto para Deus

Um novo lar, grandes surpresas virão
Aos que decidiram ser da vida, ser do Pai
Os escolhidos estarão juntos, unidos
Salvos em Deus, vencedores de combate

Casa do Pai Maior, dos filhos queridos
Dentro dela muitas moradas preparadas
Amor, paz, vida contínua, vinda do alto
Não mais dor, Deus sendo tudo em todos

Nilma Da Silva Coimbra