domingo, 17 de maio de 2020

EXTRATORES

O que menciono nestes versos de prestin
Não é novidade, é algo sabido e referido
Artifício dos astutos, obra de sagazes
São os extratores da literatura, usurpam

São eles do ramo das letras, os picuins
Estão por toda parte, ervas ruins sem raiz
Querem ser conhecidos, pela luz roubada
Querem o brilho do palco, mas insolutos

Extraem, desviam, distorcem os verbetes
Fazem um quebra-cabeças de solfetes
Juntam o nominal com advérbios soltos
Catam sentenças, fazem a pesqueira

São de todas as linhas, em todo cabal
Atuam tanto na beira, como na profunda
São infectos, repassam seus maus ideais
Acreditam que não há outro modo a fazer

Embora leis e regras sejam conhecidas
Ignoram tais decretos, passam por cima
Creem que não serão descobertos, pegos
Agem no oculto, expõem a vista, miúcha

Se tens sido coligido por extratores pelin
Não se atemorize, permaneça firme
O que lhe pertence, será reconhecido
Deus, Ele, pode bloquear, dar "a guarida"

Nilma Da Silva Coimbra

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