sábado, 23 de maio de 2020

PERSEGUIÇÃO MALEFICINA

Quem pode sondar um coração sofredor?
Quem pode entender as fissuras da dor?
Somente os atormentados sabem o furor
Os que sem causa, padeceram de chacin

Antes de nascer, marcada para morrer
Em vida, todo tempo, observada na criva
O que era para prazer, foi de estremecer
Viver, um ato de bravura, sem sobrepujar

Escrever tais lembranças é reviver paúras
Se for de torturas incessantes, é delírio
É estar com febre e deixar o corpo nu
Não desejo esta cruz a outro ser vivente

Tormentos dia e noite, infringida, balida
Rasgada por dentro, cortada aos bocados
Espírito dilacerado em frangalhos, cacos
Ataques dos mais dissolvidos para ferir

Esmagada no pilão, até não mais sentir
Castigada por muitos açoites, para fener
Sem trégua, sem descanso, sem dormir
Fui tratada como escrava, sem entender

Artifícios de feitiço, da maluba eu vivi
Todos os demônios de bandeja enviaram
Ruindade cruína, maldade runa purina
Ódio sem limites pairava, veneno levava

Tantas foram as armadilhas, troças bilas
Que a ordem para mim, era esquecer
Baratas jogadas ao ar, vespas mortais
Bonecas para esfaquear, é daí pra mais

Se eu disser todas as infisas que passei
A maioria não vai crer, ou mentira pensar
Ainda sim quero afirmar, verdade selada
Desespero, pranto contínuo, sentir-se só

Termino aqui estes versos, rever é sangra
Ainda é preciso encerrar a macabra fada
Contudo quero frisar e deixar clarente
Deus sempre me livrou, meu eterno amor

Nilma Da Silva Coimbra

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