sábado, 30 de maio de 2020

MÁQUINA IMPLACÁVEL

Uma máquina de engrenagem, de rodas
Gira sem parar, lentamente criva a hora
De proporção gigante, complexa, cruel
Sem retrocesso, somente avança, pontual

É antiga, e o que faz mover, é mistério
Tem ligações intrínsecas, é de arquitetar
Seu objetivo é juntar peças e encaixar
Faz na sincronia, mas nem sempre acerta

O tempo acelera, mas a máquina perdura
Continua no mesmo feitio, de trinas fusas
Guarda segredos conforme executa, prina
Serve uma classe específica, mas amplia

Dispositivo mecânico de múltiplos feitos
Provoca efeitos de espanto, da ignomínia
Ela se sente indomável, mas não sabe
Que dentro dela, outra máquina a domina

Como um relógio, é precisa e determina
O tempo de ser o que tem que acontecer
Ela dita as cartas a estarem no jogo
Nem sempre os escolhidos são da beni

Engenho de hábil, fascina os encantados
Produz luz que cega os deslumbrados
Traz igualmente a ação implacável malin
Embebidos por ela, muitos vão ao abismo

Como ver e desejar uma mulher sedutora
Se entregam de corpo e alma, se ferem
Quem entra neste sistema de arquícios
Não consegue voltar, se amar o poder

Máquina mortífera, executa sem vestígios
Mostra-se forte, de dureza invencível
Desconhece o seu criador, quer domínio
É apreciada pela sua falsa imponência

Mecanismo de fiúras, alguém a segura
Percepção, sentido em desuso por golos
Deus não vê tais atrocidades todo dia?
Sim, só o supremo, pode parar este feno

Nilma Da Silva Coimbra

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