quarta-feira, 22 de setembro de 2021

TEM DIAS...

Que tudo parece normal e o igual está em todo lugar, eis que vem um imprevisto mal quisto, num contrapiso e desanda o resto das bravatas...


Que o difícil parece fácil, o dia vai ser sem vacilo e eis que o esforço é maior que o pretendido...

Que há grande alvoroço, sem querer você engole o caroço, leva o dia empurrando os desgostos, no final só restou os desacertos para consternar...

Que não se sabe o que fazer primeiro, começo meio e fim ficam perdidos...

Que a volta é uma partida, para um recomeço sem despedidas, e logo em seguida o sentido tem outro refrão...

Que a dor é sufocante, a fome não vem, o nada se faz presente, perguntas ficam sem respostas, seguir só pela fé em Deus e descansar...

Não  sei se vou ou se fico, se faço ou me esquivo, se digo ou se emudeço, se me arrisco ou desisto, se me atrevo ou me anulo...

Que poetar é um mar bravio, que se nega a falar, outros dias é como muitas vozes a peneirar, para uma guerra não se levantar...

Que as alegrias se encontram para conversar, apagando as tristezas que ontem veio deixar, avivar as cores que estavam sóbrias, sentindo feliz, com todos os nãos que trouxeram outros dias...

Nilma Da Silva Coimbra 

MEU CORPO, MINHAS REGRAS?

 Em se tratando de ninguém vir a querer dominar   Respostas prontas e conclusivas explodem no ar.   Antes que um pássaro venha a fazer ninho de palha   Falas prontas e agressivas desviam intenções zunas

É a autodefesa diante das inferências, fazendo calar
Usar palavras chaves para inviabilizar, desacreditar
Se a frase é de convencimento, pouco importa
A questão é fazer parar afronta de súbito, desviar

Voltando a decifrar a afirmativa de um egocêntrico
Quer ter domínio até pelo que nunca poderá rebater
Um coração  pode bater pela vontade do dono dele?
A respiração está sob o domínio de quem a possui?

O cérebro ainda é um enigma mas quem o controla?
Quem pode comandar o processo do nascimento?
Por acaso a sede é ordem do corpo ou protela?
Meu corpo sim, as regras, ele vai impor, e assim será

Alguém sabe se está doente, se o corpo não avisar?
Pode controlar a dor quando o corpo pede socorro?
Sabe no conciso o que acontece dentro de você?
Ou apenas prossegue, baseado em tuas indecisões?

Posso criar regras para meus impulsos sem limites
Mas sempre serão regras dentro das regras dele
Cada ser possui semelhanças e diferenças únicas       
O que faz bem a um, pode a outro trazer o maleficio

Sou dono do meu corpo e mando, sou regente?
Ou é Deus que tem o poder da vida e da morte?
Exercita teu corpo e mente, faz bem, saúde terás
Não te esqueça que o criador é o teu proprietário

Nilma Da Silva Coimbra 

SER CORRETO INCOMODA?

 O certo incomoda pessoas erradas, inveja navalha.       O errado incomoda pessoas certas, fogem da rebata.   Ser correto no branco, dizem os letrais da Candinava     É brega, antigo, é utopia, são luzes da gibalta             São estes da travessia, que trazem a divisa dúbia

Lá vem aquela mirela, o certo e o errado varia Depende da ocasião, da visão de cada cidadão
Isto é para o errado, entrar na contramão, ser o bom
Vem como mentirinha para tituletar, cambirrar, gunir
O errado tem prazereres da anomalia, quer conturbar

Pessoas erradas não gostam de gente valente
Dos que mudaram de time, dos reais vencedores
Traçam marmotas de graça, trilham ferrilhões tortos
Querem enganar com arte, ser um autêntico no falso
Ter o prêmio Oscar, e assim conseguir tiles, queréns

Pessoas direitas sentem repulsa do mal, só de ouvir
Se porventura incorretos se atrevem a infringir leis
Esvaem depressa os justos, não negociam cordatas
Ser correto incomoda porque é o beliar da verdade
O que é belo traz luz própria, recalcados rechaçam

Saber tua identidade, teu caráter, só Deus a definir
Ser do errado, o empenho é dobrado no camuflar
O lado certo tem paz, o que se faz é conhecido, nido
Com toda convicção, aquele que é de Deus, é íntegro
Mas o errado e a Deus ignora consciente, é indigno

Nilma Da Silva Coimbra 

FÉU

 Bebendo o amargo da bebida dorenha, a não grata     Dia após o outro o féu do legrume é posto na taça         A porção de dores me é dada, a outro não destinada   Assombros obscuros, ruindade manifestada, aberta

Sopros de murmúrios traçando um perfil arbitrário
Acordos bizarros e infundáveis para saber o fútil
Dedicação extrema em aniquilar, matar até as raízes
Induzir pela força ações descabíveis, involuntárias

Pressões e fúrias infisas para sair do meu habitat
Vigilâncias cirradas a cada passo e decisão dada
Reações conturbadas para encobrir a real caçada
Mentiras em histórias escabrosas para obter honras

Novos farpados são criados para denegrir, confundir
Exigem silêncio de seus fracassos, driblam fuzarcas
Deus na intervenção de todos os fatos, dissipando
Féu do amargo cálice, propósito da escolha do Pai

Nilma Da Silva Coimbra