terça-feira, 23 de junho de 2020

O AMOR BENEVI

Que cintileza de tilindas é amor de benevi
Deus guerreiro de frente, de balzar, flintas
Amoremi, que está cravado, selado
Ninguém há que possa arrancar de mim

Seu grande querer pelos homens é belil
Melindro em tamanho, poder univital
Resplandecente, luzente ser fluente, lenaz
Calonil de chama xaliente, desfaz blantos

Água vivente, fonte eterna borbulhante
Nascente presente em tempo real, delai
Mistérios há em confíndias, secretizados
Belezas reveladas somente a felizardos

Pai de muitos filhos, todos de blinduras
Amor repartido aos seus, os que o amam
Incomparável bem-querer, ternura, afeto
Deus de compaixão para os salvos, reno

Nilma Da Silva Coimbra

DE ONDE VEIO O AMOR?

Constante é a palavra amor nos lábios
Passeia nas vozes, proclamada e querida
Exaltada na poesia, nos contos de pelitas
Nas histórias de vidas, muito especiais

Poucos refletem sobre sua essência in
De onde vem este calor que vitaliza, plisa
Anima, refrigera a alma, alegra a cintila
Fortalece o corpo, nutre o espírito, flenila

Uns dizem: " vem do ar, outros da vida
A quem diga, é uma força alienígena
Se alguém indaga: de onde vem o amor?
As respostas são incertas, há dúvidas

A origem de tão grande ligma, amoremia
Está na simplicidade, na delicadeza vina
Na natureza prima, nas cores, nas flítias
Sobretudo no criador, Deus excentrina

Amar é querer bem, bondade em ternura
É desejar o melhor para o outro, se dar
Confortar quando precisar, acalentar
Ser amigo, abrir o coração, ser irmão

Verbalizar amar, é beleza, nos sensibiliza
Amar em atitude dispensa falas, prosas
Vivenciar é expressar, sentir o fluir, linir
Não existe nada maior que o velejamar

Muitas são as formas de amar, salutiar
Demonstre seu afeto, retribua o carinho
Veja bem, não dê jóia rara a detratores
Se forem da ruindade, maus, tchau, adeus

Nilma Da silva Coimbra

O PONTO FINAL

Chegou o dia derradeiro, dia do vandurê
Apesar muitos dias, por os pontos nos is
Desfazer os nós que outrora se refazia
Por um ponto final, encerrar a rebeldia

Travadas foram as batalhas, de feridas
Enfrentamentos e confrontos das tirinas
Perturbações de palavras, para endoidar
Controles de todos os tipos, para dominar

Cada dia uma obra de desgaste, ferina
Vidas descontentes, exigindo respostas
Destruição havia, protestos e manifestos
Causas não aparentes, o real não dito

O mundo em estado febril, calamidade
Pandemia em alta, doenças morais
Homens sem caráter buscando o trono
Desejo pelo poder sem freio, queda fatal

Últimos dias de conflitos de ruínas gonas
Outras bavérdias virão para os acertos
Ruindade suprema já não será vista
Deus o grande patrono, trará a belinda

Nilma Da Silva Coimbra

A METAMORFOSE

Vô contá uma história de arrepiá, de pirá
É um conto de um trabaiador da terra
Nem rico nem pobre, mas de umas posse
Morava num sítio de médio porte

Brasileiro, vive lá pelos lado do sul
Se não me falha a memória, é de Maringá
Não de Paraná, mas perto, de S. Catarina
Seu nome ainda é arriscado falá, é perigo

Tinha uns cara que era do trabaio dele
Não tinha eles como escravo, no amarro
Mas era de ruindade maligna, maltratava
E eles ruminava muita raiva e ódio dele

Não era crente, nem conhecia muito Deus
Ouvia aqui é lá, no radinho, arguma vez
E as palavra de vida ia entrando nele
Ouvindo e labutando, sem parar de se fiá

Até que um dia, de tanto Deus proseá
A saúde não tava nada bem, dor de atrelá
Resolveu mudá de vez, ser de coerência
Entregou sua vida à Deus, nova criatura

Nesse dia de cisma, tomou uma decisão
Libertá a mariposa branca que guardava
Em cativeiro, muito presa, não voava
Sortou ela no rio, abriu as asas e sumiu

Desse dia em diante, houve metamorfose
Tanto da mariposa quanto deste homem
Resolveu tomá uma medida nobre
Deixá livre os empregado que tudo fazia

Chamou eles no condado, para prosear

Disse com voz firme e dura o recado
Quem quisé ir embora, esteja livre
Fui muito mal com ocês, agora não mais

De agora, em diante, vai sê diferente
Sô de Deus, vô tratá ocês como gente
Então aqueles home firmaram um trato:
"Vamo ficá se tua palavra se confirmá"

Passou uns dois meis, até aí tudo em paz
Resolveram os cabra de serviço afunilá
Decidiram em conjunto matá o fulano
Pela manhã a gente faz o dano, faca nele

Aquele homem de Deus, agora era bom
Sem saber dos plano, fez como sempre
Tomou seu café, foi até a roça, capiná
Fez o trabaio, depois parô prá armoçá

Antes porém decidiu passá no condado
E viu uma cena de morte, de horror digno
Tava lá os cabra de serviço caído, morto
Pelas faca que ia matar o pretendido

Os oio se encheram de lágrima sentida
Diante do livramento de tamanha sortida
Viu o amor que Deus de grandeza infinda
Agradeceu a Deus, e até hoje é bendito

A pessoa que vos repassa essa narrativa
Comprova a verdade deste fato vivido
Todo aquele que se rendê ao Deus maior
De tudo terá, nenhum mar lhe sucederá

Deus ouve um coração arrependido
Conhece aquele que deseja mudar
Sua palavra não muda, é íntegro e vive
Deus é amor, paz, vida, também justiça

Nilma Da Silva Coimbra

- História de um homem caipira que foi transformado pelo amor e poder de Deus.
- Linguagem caipira

segunda-feira, 15 de junho de 2020

FESTA DO RINCÃO

Certa vez, me enfiei numa roda de trota
Cada cabra de afino de cantoria, de trová
Uma coisa aqui e ali, a gente cata, olhe lá
Neste dia de sorte boa os da nata tava lá

Veja só, quem farolava igualmente criava
Um dizia sobre as passarada na revoada
Outro seguia logo na carriola e se deitava
Assim um passava pro outro, sem trupicá

Cada vez mais chegava gente pra olhá
Vinha de toda parte, de todo geito e modo
Vê os troveiro e ouvi suas cantoria tinindo
Que coisa linda foi observá essa proeza

Entre os da peneira, tava uns troveiro bão
Uns tropeiro, outros boiadeiro, e mascate
Violeiro de montão, a cavalo ou carroça
Tinha senhorio junto com servo, e caipira

Me lembro das figura que ali havia
Tudo da redondeza, mas tinha de longe
Povo criado e vivido na roça, na lida
Uns se deram bem, outros, dureza e fome

Tinha uma tripa de zé, e não parava mais
Zé das trova, zé tropeiro, zé festeiro
Zé pilantra, zé da quitanda, zé bombeiro
Zé formigueiro, zé gamela, fumê, futrico

Zé carpinteiro, zé das prova, zé da cova
Zé pilão, zé bedeu, zé fiado, zé tropeiro
Zé tiririca, zé galinha, zé cachaça,
Zé funico, zé troteiro, o fumico, e o leitao

Nome de firma, pouco valia e se conhecia
Era assim pelo apelido que o povo sabia
Se alguém perguntasse pelo Senhor Faria
Logo alguém dizia: Num sei desse não!

Nas temporada de fartura, festa de bailá
Era de arrepiá no povoado, a lambança
Viola e cantoria, bebida e comida farta
Reclamá, só de acabá, pará, vamo não

Um tempão passou, regalia de tudo tinha
Mas veio a seca forte, e matou a terra
Então só ficou na lembrança a boa vida
Depois a segunda guerra, pra nunca mais

Me lembro como hoje, dos dia de leveza
Dos "zé", do rincão, dos de pé no chão
Das prosa e das trova de alegrá coração
Saudade fica, das nossa festa do rincão

Nilma Da Silva Coimbra
- Conto poesia - histórias de antigos tropeiros e troveiros caipiras - SP
- Linguagem caipira

SEM JUSTIÇA NÃO HÁ PAZ?

Pela causa antiracista, se trava batalhas
Protestos, manifestações trazem a pauta
Em todo mundo se fala do fato ocorrido
Um negro foi morto, por um policial nardo

Desde os tempos áureos, persiste tal ato
Há uma guerra contínua, entre as raças
Uns alegam ser de um lado, outros calam
Neste tempo de confisa, há o enfoque
Racismo ainda se mostra, só de negros

Quero ver a porta aberta, dos dois lados
Quero ver o lado de dentro, como de fora
Há racismo em todo lugar, como negar?
Mas o racismo contra brancos, muito há

Em turbulências e trancassos se recita
O povo grita: "Sem justiça, sem paz!"
Que justiça se refere tal proclame alto?
Dos homens para ser posto à limpo
Ou da justiça pela força, pela trinchada?

Que paz se refere os desautos, de fato?
A paz da harmonia entre os povos bastos
Ou paz entre os da mesma compelação?
Paz do alto, nem comentário permeia

Justiça é vista ou será neste mundo?
Muitas vozes a exaltar, conhecem a paz?
Se juntam para contestar, o que apraz
Justiça e paz se distinguem e se somam
Agem de forma única ou se dividem mais

Fala -se muito em justiça aqui é acolá
Seja qual lado for, ela é fiel e age a favor?
Paz, onde ela está? Está para quem ter?
Justiça e paz neste mundo, é parcial

Lhes digo uma verdade, de doer, acredite
Há negros que não gostam de brancos
Negros que rejeitam sua própria raça
Outros odeiam negros, brancos, pessoas
São taxativos: "Não gosto de gente!"

Sim, há brancos que discriminam negros
Para eles, só a cor branca é de presteza
Convivem com todas as raças, se preciso
Muitos no entanto, fingem gostar, aturam

Todos os negros são justos, elibados?
Devemos defender homens sem avaliar?
Será que todos o brancos são desleais?
Negros ou brancos, são todos íntegros?
Só através de Deus, justiça é cabal, plenal

Nilma Da Silva Coimbra

O VELHO E O NOVO

Há quem goste de coisas velhas, antigas
Se valer além do sabido, o gosto se apura
Mas se o velho se torna descartável, bina
Assim o velho perdura ou bem se desfaz

Entre modernismos e novidades vivemos
Tecnologia avançada temos, queremos
Ânsia de rapidez, mudanças almejamos
Será que estamos prontos para tanto?
Velhos conceitos devemos abandonar
Porém, bons costumes é melhor ficar
Nem tudo que é antigo, tem que se livrar
Ensinamento de valor, não envelhece, dita

Dentro de nós, o que nos corrói e destrói?
O velho mandamento que não soltamos?
Ou a liberdade de ser, de fazer acontecer?
Então é preciso avaliar, pesar, estabilizar

Raciocine e analise neste pensar, foque
Velho e novo se mixam, ou se separam?
Não há novo, sem o velho, isto é vero
Podem estar unidos, mas há separação

Um ínterim, quero abordar, para clarear
Há novo que só vem, se o velho não estar
A reposição é necessária para se renovar
Folhas novas para a vida perpetuar, florar

Se a velhice do homem é inevitável, real
Um novo pode nascer e o interior mudar
Sai o velho homem, com a velha mentira
Entra o novo homem, Deus sua certeza

Nilma Da Silva Coimbra

"EU SOU MUITO BOM NISSO"

Excesso de confiança ou autoafirmação
Errado ou certo, sempre haverá exaltados
Alguns se denominam acima do elevado
Veem seus semelhantes derrotados, infer

Indivíduos de extrema arrogância, infusos
Ora se identificam, ora se escondem
Creem ter habilidades especiais e raras
Soberbos, fazem suas manobras na pisa
Mistura de ruindade com mentira grina

Enganar, parecer honesto para ser aceito
Trapacear, conseguir o almejado no fino
Mestres em disfarçar as reais intenções
Dizem: "perfeito! Sou muito bom nisso!"

Insolentes, gostam de brincar com gente
Mostrar bondade quando convém, falsear
Se descobertos, mudam de estratégia
Bem vistos, aplicam golpes de dardos
Destes camaleões, atente, seja precavido!

Nilma Da Silva Coimbra