terça-feira, 23 de março de 2021

LEMBRANÇAS APAGADAS

Não foi loucura, nem alucinação, mas quase chegou a ser. Todos os dias procedia o mesmo ritual.

No café, ingeria goles de palavras venenosas, a ponto de desmaiar, quase desfalecer.

A tarde minha refeição era farta de desgosto, com gosto de melaço negro, prato sortido de abundância que não satisfaz, apenas preenchendo o espaço deixado pela fome.

Pela noite, saciava minha fome e sede numa súplica secreta e pessoal com Deus. Desta forma, posso dizer que meu Pai, era e sempre será o que me reconstrói, após longas lutas de sofridão e desespero.

Hoje já não existe mais a causa deste tormento, somente lembranças vagas e doídas, de um espaço de tempo.

Passei por muitos vales similares, alguns mais veementes, que até deixaram marcas na estrada, mas em meu coração elas são apagadas todos os dias.

Minha alma se compraz no Deus que é vivo, Deus de amor, que ouve as súplicas dos seus filhos, os que o buscam em espírito em verdade."

Nilma Da Silva Coimbra

BRINCANDO COM A VIDA

 Brincar, uma delícia, quando criança, divertido   Se adulto, revigora, aflora dentro o riso bonito   Brincadeira não tem idade, deixa leve a vida   Faz a dor ser expurgada, traz alívio, aproxima

Faz parte levar a vida sem ter que ser prisão
Soltar amarras, laços tesos, ser livre, folgar
Seriedade faz parte, ser responsável, honrado
Deixar o espírito em mansidão, dançar e limar

Todavia, brincar tem limite, equiparar atitudes
Extremos causam transtornos, há reviravolta
Brincar de não se importar, é descaso danoso
Jogos da vida real, são pra valer, é cobrado

Almas vendidas, entregues a sorte esquecida
Escolhidas a dedo, para uma obra ruim guza
Por um ser desprezível das trevas, coisa má
Para destruir a raça humana, por inveja ruída

Inconsequentes, sem consciência, perdidos
Tratam a vida como se houvesse rascunho
Não vivem, como um barco furado afundam
Tanto faz se der errado, tanto mais enfurecer

Seres de alta maligna, demônios disfarçados
Parecidos com gente, humanos nunca serão
Por dentro, o pretume mórbido da ruindade
Dia e noite a pensar como matar, desvencilhar

Vidas dedicadas a desgraçar, sem parar
Sem conhecimento destroem a si mesmos
Brincam de mortificar e morrer em fusão
Dizem ser um povo unido,  ações contrariam

Descendentes de pais da semente belzebu
Criados a revelia, sem disciplina, na peligra
Ensinados a repassar o mal, a qualquer custo
Obedientes a espíritos, recusam a Deus

Querem viver,  mas a morte os dominam
As voltas com o barbarismo, atacam, inferem
Só sentem a própria dor, se derrotados são
Reclamar é proibido em público, tudo oculto

Não se importam com ninguém, frieza vulta
O gosto pelo lado negro, os faz servos de si
Sem limites para ferir, de volta recebem a fita
E assim prosseguem jogando a vida no lixo

Como na roleta russa, o tiro não manda avisar
Andam numa linha tênue, prestes a finar
Na ponte das tábuas podres, pulam e vibram
Cometem loucuras, armam doidices, riem

Galhofar da vida, é zombar da dona morte
É gracejar com menosprezo, ser indiferente
Debochar, se inflamar, e ainda pisar, humilhar
O relógio está a marcar, Deus o basta dará

Nilma Da Silva Coimbra

NÃO COMPLIQUE! SIMPLIFIQUE!

 Cá pra nós, complicar, é ainda a preferência     Se é mais fácil seguir reto, porque enviezar?    Aí  tem outro sentido o dificultar, é embelezar   De que vale criar entornos, se no fim é tiraço

Por onde que se vá, se vê demais o atrapalho
Os adeptos da pampulha, tem prazer no ato
Onde se podia ter uma saída, arranjam fosto
Se podem atravancar, o enrosco é bem vindo

O caminho mais fácil, pode não impressionar
Então a turma do razuê, entra para confundir
A desculpa é fazer merecer, em vez de aclarar
Para receber honras e elogios, comover, tocar

Motivos não faltam para emaranhar os fios
No mundo há complexidades extremas além
Porque esse desejo sagaz em agravar, piorar
O que já está definido, facilitado, compelido

Diga-me a razão porque há tanta burocracia
Porque tantos papéis para um comprovante?
Me fale o motivo por tantas exigências tortas
Imposições fuzentes para enredar, governar

Se alguém surge para abreviar, é extirpado
Conceitos confusos, faz o enigmatico vistoso
Sejamos coerentes, sem regras difusas, fesas
Sintetizar, condensar, é o ideal, sem atropelos

Caso necessário tenha que explanar um caso
E o intrínseco vier a tona, e não puder mudar
Descreva em linguagem leve, exprima breveza
Esboce e repita o combinado, sem torteios

Simplar, diminuir na precisão, sem esticar
Estreitar se for devido, sem nada faltar
Banir os excessos, as fitas, expor as fíndias
Descomplique com suavidade, simpleza vítna


Nilma da Silva Coimbra

ROSA DE SARON

 Planície de flores exuberantes, tínidas   Gomos verdes desabrocham e soltam a flor   Rosa em forma de lírio, arbosa, pétalas finas   De suave aroma, toque de seda branca, pura

As voltas do mediterrâneo, são em muitas
Entre Monte Carmelo e Turra, se evidencia
Unidas, se juntam numa colcha blanche floral
Suas sépalas são profundas, delicadas, nídias

Ela é a hibisco-da-Siria, de fineza e requinte
Folhas sobrepostas e repostas em níveas
Cada pomo surge novas pétalas e filetes doro
Rosa de Saron, até quando serás esquecida?

Admirada pelos reis, exaltada em versídios
Mencionada na Bíblia, Salomão apreciava
Simboliza o amor da realeza, purificação vina
Representa vida em Deus, o sublime, excelso


Nilma Da Silva Coimbra

quinta-feira, 11 de março de 2021

O BOLO E O RECHEIO

 Bolo e gente se parece, vou fazer a dobra    Fazer uma comparativa, preparar a massa   Cavar prerrogativas, bater os ingredientes   Pensar nas confisas, sovar bem e assar

Quem vê  o bolo por fora, não vê por dentro
Tem bolo lindo e bolo feio, de todo geito
Se foi bem feito, só se sabe se for provado
Pela aparência é apenas convite, pode falsear

Tem bolo simples sem nada, e os mais fartos
Os de recheio, são mais apreciados no sabor
Nem sempre um bolo galvo, é o de gosto bom
Na simplicidade pode se achar o bolo guelvo

Bolos de camadas, que possuem a diferença
Podem trazer o frisu extra, com as versejas
Se tornam assim, bolos de festas, das noivas
Admirados por seus atributos, beleza dobre

Pessoas igualmente possuem seus valores
São caracteres que definem quem é cada um
Belos ou feios por fora, não priza o correto
O externo pode ser a ilusão, o retrato posto

Como vamos saber se um ser é da galeza?
Olhando o invólucro, o enfeite é só a isca
O bolo pode vir com atavios para atrair olhos
Então é necessário degustar, se é de requinte

As qualidades e defeitos estão no interno
Saber se a qualidade é boa, é sentir o gosto
Atributos especiais não tem preço, é realeza
Não julgar pelas proezas, mas ações verídias

Vidas são muito mais que aparências vistas
Os seres que são do ouro puro de onir, brizam
São bolos elegantes saindo do forno, novos
De aroma inigualável, perfume vindo do trono

Nilma Da Silva Coimbra

A CASA DOS ESPÍRITOS

 Casa humilde, de traços naturais, sem atavios   Não está no meio da floresta ou no pântano   Muito menos numa mansão vistosa de refino   Nem mesmo numa morada a beira do lago

Ela hoje já não é a mesma, ganhou vida prina
Onde está, ninguém sequer imagina, torteia
O que nela conteve, nem tudo se pode contar
Uma história de assombros, enleios, quimeras

Um acerto de grande estirpe de monte haveria
Inevitável vir calamidades para ter o concerto
Na casa havia espíritos soltos, infestos, letais
De tamanhos e tipos variáveis, disformes

Um tempo de demônios expostos, perdidos
Perigosos, bravos, fortes, malgas, ódio vasto
Enviados para destruir uma rina, caçavam
Queriam matar, mas filha de Deus é intocável

Vieram de muitos lugares distantes, das eras
Antigos, modernos, eram feitos para destroça
De cores singulares, alguns exóticos, zurras
Todos com nomes, malignos, desprezíveis

Casa de tantas falápias, contos de fábulas
Arremessos de insetos, espíritos de animais
Guizos de vespas, pastas e pragas da morte
Frutos do feitiço que no mundo foi extirpada

Banros, lixo preto, vesgo, enviados para finar
Fios para desfazer o mal feito, pouco efeito
Passavam pelo vale doce, para depois firizar
Assim era a rina que fazia a sorte, e era o alvo

Criação de fórmulas caseiras, era a festa
Gomas, bramas, branca, preta, graxa, bolume
Tramas, perturbações mentais, ruindade vena
Tudo para enfiuzar e causar danos sórdidos

A casa dos espíritos, veio para ser a reforma
Por em ordem desarranjos, dogmas e tabus
Corrigir interpretações, revelar o concerto vip
Estabelecer novas diretrizes, verdades firmes

Chegando ao final da grande metamorfose
Abolidos foram as feitiços, macumbas zumbe
Em tempo certo, outros entraves serão nulos
Deus, o dono do mundo, deixa sua marca viva

Nilma Da Silva Coimbra

ALUCHA NO PAÍS DAS MARAVILHAS

 A história que Hollywood vetou, digo na frisa   Não de uma burguesa, mas de uma guerreira   Que em vez de ser a estrela, foi a mal vista   Sugada foi, mas pela árvore do desencanto

Nasceu para trazer a veleza, sem saber
Cada dia de vida era uma guerra de traves
Dois lados de embates, o bem e o mal tirizam
O capucho desferindo, rindo, Deus impedindo

Era o terror implantado para a derrubada fusa
O buna se aliou a seus discípulos, em trinas
Assim Alucha, era perseguida, mas protegida
Nada lhe foi revelado, seguia seu curso diário

Seu nome e origem eram desconhecidos
Pouco importava para os exploradores bóras
O país das maravilhas se tornou da revelia
O que era peso certo, reverteu em extravios

Fantasias e fantoches havia em demasia
Muita moeda saindo pela culatra, sem medida
Pobres com muito dinheiro, rumos difusos
Uma vida, um elo divino, uma sentença funa

Anos seguidos de muita festa de rivanchê
O país outrora da ilusão, agora é o real visto
Maravilhas podem agora acontecer, sem purir
Deus pôs o ponto final, adeus foranjes e fulas

Alucha, agora pode viver, sem as demandas
Cravado foi o seu destino, dura a tarântola
O mundo se recobrando de muitas dorindas
Deus livrou Alucha, por amor livra o mundo

Nilma Da Silva Coimbra 

EU ACHO

 Dar o parecer a alguém de uma resposta            A pedido ou não, o "eu acho" se apresenta   Nem sempre é a verdade dita, mas evidencia   Achar a respeito de algo, é posição pessoal

Se colocar a mercê para uma resposta fisga
Seja em tempo breve ou de longevidade
Não significa a exatidão, nem a comprovação
Possibilidades mil de ser um engate falsê

Achar a respeito de algo, sugere eu suponho
A mensagem é captada no "pode ser, ou nao"
Expressão de descrédito que alguns extraem
Acompanha dúvidas, se houver prosélito

Embora seja vício de linguagem global
Se tiver que impactar, no dizer ou escrever
É melhor usar um termo de confiança precisa
"Eu acho" é palavra de risco, diga "a meu ver"

Nilma Da Silva Coimbra

FANTOCHES

 Quem são estes dominados que se prostam?Conscientes ou não, obedecem sem pensar  Será uma necessidade sem saída, imposição   Ou um prazer esdrúxulo de servir, deleitar?

Se sou espectador, muitas reações não ditas
Como vítima, aceitar é intolerável, não admito
Num mundo de zurimas, no balaio há de tudo
Gostos da bavária transbordam, são beliscos

Usar alguém a intermediar, é querer intervir
Não ter o confronto direto, atingir sem estar
É camuflar o real, fazer valer o ideal malemá
Se perguntarem sobre o descomunal, negar

Ter o controle sobre pessoas, ainda é gritante
Por toda parte as duas vias se competem
O poder é um desejo caro, traz abalos e ruína
Uma subida de terror, a queda é fatal e certa

Fantoches, são tantos sem saber, permitem
Outros conhecem o espinho, pagos para tal
Vendem seus corpos e almas, por lucro vasto
O preço a pagar é elevado e traz a desgraça

Interesses vís, despertam no homem a guiça
Transmutam seu cisar, aguçam o sentir bruto
Se neste terreno de guizos pisar, saia de largo
Uma vez dentro, as roliças prendem no fosco

Nem tanto ao cume, nem no baixo colume
Crie trilhas de belumes, que flua a água pura
Limpe-se, tire os cascalhos e o lodo gosma
Recomece a jornada, siga a luz, Deus vindima


Nilma Da Silva Coimbra