terça-feira, 23 de março de 2021

LEMBRANÇAS APAGADAS

Não foi loucura, nem alucinação, mas quase chegou a ser. Todos os dias procedia o mesmo ritual.

No café, ingeria goles de palavras venenosas, a ponto de desmaiar, quase desfalecer.

A tarde minha refeição era farta de desgosto, com gosto de melaço negro, prato sortido de abundância que não satisfaz, apenas preenchendo o espaço deixado pela fome.

Pela noite, saciava minha fome e sede numa súplica secreta e pessoal com Deus. Desta forma, posso dizer que meu Pai, era e sempre será o que me reconstrói, após longas lutas de sofridão e desespero.

Hoje já não existe mais a causa deste tormento, somente lembranças vagas e doídas, de um espaço de tempo.

Passei por muitos vales similares, alguns mais veementes, que até deixaram marcas na estrada, mas em meu coração elas são apagadas todos os dias.

Minha alma se compraz no Deus que é vivo, Deus de amor, que ouve as súplicas dos seus filhos, os que o buscam em espírito em verdade."

Nilma Da Silva Coimbra

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