quinta-feira, 11 de março de 2021

FANTOCHES

 Quem são estes dominados que se prostam?Conscientes ou não, obedecem sem pensar  Será uma necessidade sem saída, imposição   Ou um prazer esdrúxulo de servir, deleitar?

Se sou espectador, muitas reações não ditas
Como vítima, aceitar é intolerável, não admito
Num mundo de zurimas, no balaio há de tudo
Gostos da bavária transbordam, são beliscos

Usar alguém a intermediar, é querer intervir
Não ter o confronto direto, atingir sem estar
É camuflar o real, fazer valer o ideal malemá
Se perguntarem sobre o descomunal, negar

Ter o controle sobre pessoas, ainda é gritante
Por toda parte as duas vias se competem
O poder é um desejo caro, traz abalos e ruína
Uma subida de terror, a queda é fatal e certa

Fantoches, são tantos sem saber, permitem
Outros conhecem o espinho, pagos para tal
Vendem seus corpos e almas, por lucro vasto
O preço a pagar é elevado e traz a desgraça

Interesses vís, despertam no homem a guiça
Transmutam seu cisar, aguçam o sentir bruto
Se neste terreno de guizos pisar, saia de largo
Uma vez dentro, as roliças prendem no fosco

Nem tanto ao cume, nem no baixo colume
Crie trilhas de belumes, que flua a água pura
Limpe-se, tire os cascalhos e o lodo gosma
Recomece a jornada, siga a luz, Deus vindima


Nilma Da Silva Coimbra

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