quinta-feira, 28 de maio de 2020

FALSO BRILHO

Estou diante de um grande circo de nome
Onde todas as atrações permeiam
Artistas de refino, animais de esoteria
Shows tem todos os dias, com matinês
Apresentações excêntricas, exóticas
Palhaços não faltam, sobram palhaçadas
O público se anima, aplaude e aprecia
Cada um se apresenta, com sua fantasia
Todos parecem alegres, divertindo, rindo
Mas onde estou neste circo de fama?
Nem nas cadeiras, nem no picadeiro
Cheguei até o meio da entrada, ali fiquei
Vi tudo o havia de belo, mas não sentei
Observei os atores da alegria, meditei
Será que são assim quando tudo se fina?
No camarin onde se personifica, como é?
A euforia do sorriso, como a fabricam?
Será espontaneo o que vejo ou induzido?
Viver para a arte, ou arte para viver?
Há felicidade em seus corações por isto?
O que refletem condiz com suas vidas?
Respeito todos os artistas de circo
Cada um tem sua história e sua versão
Não julgo seus artifícios ou seus pleitos
Exponho o que de mim é legítimo
Então conclui, que o circo é o falso brilho
Se muitos nele se identificam, me excluo
Saí daquele alambrado decidida, parti
Ao longo do caminho soltei pensamentos
Que a tristeza, cansada, quer falsear
Luzes sobre escombros, é o lume negro
Há uma ilusão do riso, paga pra ser vista,
Sou da luz viva, da luz não produzida
Quero ser eu, seja na terra, ou na lua
Verdadeira, sem costuras, sem fisgas
Tendo sempre Deus, como meu exemplo

Nilma Da Silva Coimbra

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