sexta-feira, 25 de outubro de 2019

QUERIA PODER

Queria poder falar, sem ressalvas,
o que tenho sofrido e gemido,
das vezes que me calei, e não disse,
da dor que reprimir sozinha,
dos dias de solidão infindáveis.

Queria poder abrir o verbo,
não mais indiretos provérbios,
e não ter comedito o não.

Queria que você me ouvisse,
sem que uma explosão surgisse,
de um vulcão em plena erupção.

Queria poder dizer a verdade,
de tudo que tanto tempo sucede,
mas quem me acreditaria?

Quem me ouviria e ficaria do meu lado?
Só Deus por minha testemunha,
meu juiz, meu amado.

(Um tempo, que foi desalento, desamor, mas já passou)

Nilma Da Silva Coimbra

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