segunda-feira, 28 de outubro de 2019

TEMPO ROUBADO

Tempo útil, quando bem proveito há.
Tempo perdido, quando é desperdiçado,
amassado e jogado ao lixo, desprezado.
Nem todo tempo é vivido como previsto,
e ainda sim o tempo não pára, vai, segue.

Roubado me foi o tempo, tirado de mim,
por anos a fio maltratado, ofendido,
o amor que havia sido construído,
para um novo tempo de recomeço.

Segui a verdade da Palavra, não me rendi.
Amar o próximo, o inimigo, foi o que eu fiz.
Perdoar e bendizer o meu irmão, assim procedi.
Nunca recusei diante de Deus o amigo,
fui tudo que podia ser, concedi, me doei.

Me desdobrei, fui além, siquém.
Neste tempo, nunca me arrependi.
Sofri açoites, na carne e espírito.
Desamor em doses elevadas, bebi.
Tristezas doloridas em amarguras recebi.

Resolvi depois dos destratos, injúrias
Dar o ponto final na história, um basta.
Desliguei do incômodo, do estorvo,
Depois de muitos dias de relutas infindas.

Hoje meu tempo é bom tempo,
Não tenho barricadas interrompendo,
O dia é um presente, a noite é sempre contente.
Nada mais me separa, vivo intensamente,
Deus, meu amigo sempre, meu libertador,
o Pai de amor nunca ausente.

Nilma Da Silva Coimbra

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