segunda-feira, 3 de maio de 2021

SOBRAS DE UM VÍCIO

Somos escravos de vícios, se nos permitimos            Se não atentarmos para mudanças, é o desfreio        É a roda da vida, que descarrilha, ruela sem rumo      Se perder é fácil, quando soltamos as rédeas

Um costume antigo se tornou um vício sem valor
Antes a zumbê fazia suas málgamas e desfilava
Hoje por decreto do Pai único, a quilomba morriô
Os revoltos se indignam, prosseguem na teima

Neste contrapasso, não se convencem do lato
Querem ascender o fogo do feitiço na forçapa
Ainda que as evidências mostre inútil este ato
Não aceitam, e agem como se tudo fosse igual

Numa bandanga, num reservado, juntam sobras
É pedra sobre pedra, carriola merilo, vaso ruim
Telhas pilhadas, canos de ferro, tábuas brancas
Tem até um quadral com caneta, para eu parar

São desprovidos de consciência e entendimento
Querem a quizumba, para o mal fazer, perpetuar
Tentam despertar demônios que já não existem
Em vão a teimosia ruidosa cava fendas, fuza

Se forma então as sobras de um vício calcicante
Objetos em proporção ao desejo, para malificar
Tranqueiras e tralhas da imundície se juntam
Sem efeito para o baluê, um cantuá de bruscas

Mães de branco, não tenham medo, libertem-se!
Os santos nada podem fazer, retirado o poderio
Demônios sem reino, demônios mortos, extintos
Deus fez esta obra, para não haver regresso

Merembar no afinco, na fiúza, criou -se o hábito
Sem a zumba, sem o feitiço, agem como antes
Mentes runas obcecadas por maldade, insistem
Não  aceitam o desfeito, ainda creem ter a zuma

Friso na certeza, Deus cerrou, a macumba finou
Caso alguns façam, interesses escusos visam
Banido foi o feitiço, a bruxaria, búzios e simbalas
Resta ainda poucos ajustes, o essencial se fez

Não te entremeie no mal, o retorno vem durê
Dê adeus ao runismo da burrice, é atraso total
Ponha um ponto final em histórias mentirosas
Runas para destruir delou, vida para os salvos!


Nilma Da Silva Coimbra

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