terça-feira, 12 de novembro de 2019

UM NOVO TEMPO

Tenho andado em terra seca
onde a chuva não se vê a muito,
piso em pedras, a poeira levanta,
a visão se apaga, inspiro a dor.

A vegetação é escassa, rasteira,
os galhos sem força, secos e pruridos,
a morte assiste em ficar.

Ando por horas, dias, noites de fridas,
vejo poços de lamas, em escamas,
contaminadas por destroços,
carcaças de animais soterradas.

O sol é forte e traz queimadura,
minha perseverança é inssistente,
cansada desta jornada, não hesito.

Sombra inexistente, vida nefasta
em minha volta só vejo destruição,
avanço em passos lentos, sem parar,
a morte espreita a espera do aviso.

Persigo poços de água, não vejo,
pedras cascalhos sobrepostas, presas,
céu vibrante, luzindo sol efervescente,
água retida, terra ressequida, esquecida.

Tempo haverá de muitos molhos,
de colheita mais abundante, incessante
onde o Deus maior tudo proverá!

Dias que serão lembrados, festejados
não mais como a desprezada, banida
mas como a preferida, amada, querida
Onde todos irão ver a vitória acontecer.

Alegrar-te, canta em exuberância,
aplaude em constância, inflame em danças,
de felicidade berrante, trincante,
o dia chegou fuscante, luzindo um novo tempo.

Nilma Da Silva Coimbra

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