segunda-feira, 20 de abril de 2020

A VIDRAÇA

Estou do lado de dentro do aposento
Uma sala iluminada, de cortinas claras
Uma vidraça sem aberturas, embassada
De frente para a entrada, desapercebida

Uma bela mulher, olha atenta de esguio,
Observa o que se passa, mas se retrai
Porque alguém aprecia ver sem aparecer
Procurando algo que venha entreter

Pode ser que nada tenha a fazer
Ou não possa sair de onde está
Quem sabe nada mais venha a desejar
Tristezas, dissabores, parou para pensar

Estar num lugar, sem querer estar
Ser perseguida, humilhada, traz agonia
Não saber o que fazer, presa em amarras
Esperar pela saída, sem saber o dia

Dias seguidos na vidraça incolor e lume
A refletir sobre sua vida tão salubre
Esperando alguém que nunca vinha
Ser de alguém, e não ser, só pertencer

Clamores de sua alma, Deus escutava
Sua dor era latente, embora não sabido
Oculta pelo amor do Pai, estava segura
Partiu, num sono, sem sentir, para viver

Nilma Da Silva Coimbra

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