Introspectar, viajar para dentro de si, mergulhar Fazer uma imersão na alma, a verdade absorver Ir nas águas profundas do oculto, trazer a tona Conhecer os sinais e marcas, cicatrizes cálidas
O que será que haverá, no fundo do meu mar?
Que encontrarei após abandono de mim mesmo?
Me deleitei apenas nas margens, na superfície
Olhei apenas para o balançar das ondas, vacilei
Deixe-me levar por muitas brisas soltas, vadiei
Fui ao encontro de marejadas loucas, me perdi
De cataventos descontidos, barcos de treçuras
Cavalguei nas marés altas, tempestades frenesia
Solidão, companheira eximea, nunca faltava
De pés descalços, trajes leves, percorria a praia
Por horas a fio namorava o sol, o calor me erguia
Corri atrás de sonhos, nadando para me afundar
Pisei em tantas alfacatruas, que trouxe sangue
Dos espinhos não fui poupada, mas devolvi
Sabia do mal de minhas entranhas, silenciava
Era eu, ruindade a toda prova, cruzes vermelhas
No retrospecto de muitas travessuras que fiz
Das inúmeras pelintadas que transgredi, me feri
Rasguei meu ódio nos tribunais, enlouqueci
Quem sou eu? Maria Antonieta, dos ovos perdiz
Nilma Da Silva Coimbra
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