sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

DESORGA, RUINDA FINDA

Olho a desorga, da manorga, cassaba
Em frente de minha janela, que desfeita
O fiuno já se confinou, a cazorga guinou
O que ficou foi a troça das palhoças
Monte de torgas atravessadas viradas

Cada dia, uma remexida torta, morta
O desejar destruir, ainda que gore
Entrementes de pedras sobrepostas
Telhas em ajuntamento, tapete, cimento
Barca preta furada, canos envergados

Soma de tranqueiras velhas, arte runa
Feiura a traços vistos, que desgaste
Tempo em desperdício, o nada finalizou
Por mais que se prove a ganoada ruína
A ignorância retrógrada quer a quizumba

Repelem a providência divina, descartam
Negam a Deus, rejeitam com suas artes
Prevalece o mal feito, a feitura da cobra
Remorso é inexistente, desamor presente
Se afundam na areia movediça, no manto

Fim em desatino e panorga, cavalhaço
Necessário desfazer as canorgas, brocas
Se permanecer as malfindas, descarrilho
Então há de se convir, mal com mal vir
Para o fim da ruindade profana, doidivana

Nilma Da Silva Coimbra

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