terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A GUERRA NO SILÊNCIO

Uma guerra das mais fuzentes, persiste
Lutas de feras que não se veem beliar
Estão em desafio constante, sem trégua
A difundir perentes múltiplas de dores

Lugar de aparência discreta, serenia
De fora igual a outras moradias, simplia
Alguns olham e dizem, tudo para boa vida
Outros não percebem o nó na catanga

Silêncio na fachada e nas beiranias
Nada imposto, livre arbítrio, na presença
Ninguém se pronuncia diante do rebusti
Ruindade de extrema a suprema contida

Risos largos, passos abertos, falas altas
Festerê para alguém ver o falso reluzir
E assim, o que ouvir, desenhe o colorir
Cumprindo o requerido da beleza ruim

No resguardo há conchavos alinhavados
Falas distorces, códigos em envelopes
De tantas maneiras se fez, outras desfez
Ensaios repetes, para a cena ser real

Na escondida do infer há uma voz fine
Que é a fala para o disfarce, a denomada
Ouvem com nitidez, mas proibida expor
Esta voz exibe a dor abafada, dor calada

Mestres da imitação, absorvem sons
Quando a raiva e o ódio os dominam
Soltam barulhos dos mais variados tipos
Sonidos de máquinas e convoios, deveras

Tantos são os vesúvios e pelegas diários
Que crer nestas farpas doentes é pinar
Palavras comedidas, para não suspeitar
Feituras de pratos das comesas, doble

Defenas de grande porte, combinados
Tantas beretizes sórdidas, algemas trinas
Tais feitos trinados as ocultas em velas
Silêncio! a guerra é das avesivas, ferin!

Nilma Da Silva Coimbra

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