sábado, 8 de fevereiro de 2020

ENQUANTO A NOTÓRIA NÃO VEM

Como todo ser vivente, sigo em frente
Vou pelas troades, contorno os buracos
Sigo trilhas dos delgados, cavo no braço
Penetro na mata fechada, cavalgo brava

Percorro colinas, dunas fundas, prefasto
Cansaço, sono, fome, vem fortemente
Escolho a que melhor me cerne, tripudio
Fujo das inércias e mesmices, engendro

Avanço num confronto de vespa, peleja
Retorno não cogito, se for o caso, felejo
Preparo os portulejos, armosas traçadas
Na calada da obscura, volto para tundar

Transpasso necessidades, me formo
Nada irá deter meus contrapontos,
Estou a postos para fisgar a reboca
Me concentro nas arcapaças, na vigília

De dia medito na bíblia, sem comento
A sombra dos arvoredos, me sento
A noite saio a galope, tiro o desfalque
Vou nas veledas, nas penumbras

Depois de tudo truncado para os frepas
Aí então regresso para meu posto tosco
De um cargo de renome, mas desgosto
Neste recato me preparo, nova rebústia

Nilma Da Silva Coimbra

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