terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

CHORO RETIDO

Choro devia ser da normália, exposto
Sempre que alguém sentir, derramar
Pois pela mágua em excesso da alma
Que lágrimas surgem para a dor guinar

Diante de choros e cântaros a flor da pele
Há choros extremidos, expelem rancor
Outros desvanecidos são passageiros
Muitos tem no chorar, a falta do amor

Priorizo aqui, nestes citos de trovelas
Um chorê de esmelinguar, de apertar
O choramingo que não se esmiúça,
Apenas dá seu parecer, retrai, se muda

Há o expressar nas coxias, tabu infame
De que chorar a observantes é feio, funo
Traz uma evasiva de fraqueza indefesa
Para tais impositores, deve ser engolido

Um fator não raro, de gravidade entrema
É o choro diante de um relato falado
Que no indireto se nega, está implícito
Chorar chega a ser proibido, só no olhar

Discordo deste emposse, desta desvalida
Que fica nas bordas, mas não se prima
Chorar é para tirar o transborde do cheio
Lavar as penúrias de dentro, flintar, alar

Me poupe os sabedores de ética torpe
Que querem estabelecer regrinhas de bile
Liberdade é para expressar sentimento
Que chore quem quiser, pecado não é

Neste entendimento de voo planado
Onde as asas estão alçadas e plemeiam
Lágrimas foram feitas para tirar o peso
Para refrescar o coração do pesadelo

Nilma Da Silva Coimbra

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