quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A JALUME E SEU MISTÉRIO

Jalume de meu aposento, vejo mistérios
Aberta se revela, tela de grandes novelas
Nada muito expressivo, sem retoques
Um cenário rústico, vislumbre desgasto
Prédios de aparência uniforme, infasto

Histórias de muitas vidas na passarela
Há os eloquentes, os tempestivos,
Místicos, de regras e quimeras frigentes
Feituras de tropo, organzas em gandas
Nada se perde para os feitos já tomados

Canibrados em desvalos, sucumbidos
Desferem estilhaços de maldade felinas
Enfrentam a devolva dos retornos torpes
Mas não se rendem aos apelos de enlevo
Preferem esperar a fechada final, total

A cada dia a destruição é acumulada,
Vejo pela janela um filme sem cortes
Mistura de gente com ruindade cruelina
Num teatro a céu aberto do normal irreal
Ao visitante é exposto o esperado, o lindo

Andam sem rumo, em aflição e tropegos
Desferem entre si grandes arrolos, golos
Não mais se importam com o preço pago
Definham, caminham para a morte lenta
Muitos optaram em mudar de lado
Estão a serviço do reino que é infinito

O fim destes mistérios está a se firmar
Tantas embrulhas travadas, incontáveis
Se aqui ditas, nem todos iriam acreditar
Restam alguns segredos a desvendar
Encaixes secretos na hora certa calibrar

De um posto, os recisos imprecisos
No oposto, os inigmas ditos, preditos
Apurados, desvendados em prontidão
A janela há de se fechar para observar
E tudo será como Deus preveu, finale

Nilma Da Silva Coimbra

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